Os desafios da produção artística no Brasil

Enviada em 10/07/2020

Na música “Não deixe o samba morrer”, cantada por Alcione, é demonstrado como a arte e a cultura são importantes para a construção identitária de um povo. Entretanto, essa importância não é reconhecida pela sociedade brasileira, uma vez que os artistas têm enfrentado, cada vez mais, desafios na produção das artes no mundo contemporâneo. Assim, há a configuração de uma conjuntura ligada ao contexto artístico no Brasil, dada a elitização do acesso à cultura e a desvalorização do papel da arte na formação dos indivíduos.

Inicialmente, é válido ressaltar que as artes, no Brasil, são restritas a indivíduos com poderio econômico. Exemplo disso é visto na Semana de Arte Moderna, na qual os artistas tinham como principal objetivo tornar a arte um bem de todos – logo, democratizá-la. Nesse sentido, tem-se que o Estado e as instituições privadas, ao atribuírem altos preços de ingressos de cinema e museus, assim como limitar os centros culturais a áreas desenvolvidas, promovem tal elitização, uma vez que restringem as artes àqueles com poder aquisitivo para bancá-la. Desse modo, há uma inadimplência constitucional no que tange ao direito social de acesso à cultura e ao lazer.

Além disso, é importante mencionar a desvalorização da arte no que diz respeito à formação dos indivíduos no Brasil. Isto é, na série televisiva “Glee”, a treinadora Sue, com um projeto de lei, tenta cortar as verbas dos programas de artes dos colégios de “Ohio”. Nessa perspectiva, tem-se que a sociedade deixou de entender a importância das artes no que diz respeito construção social dos indivíduos, uma vez que a falta de investimento e de democratização impossibilita que o campo artístico auxilie no desenvolvimento do senso crítico das pessoas e na sua capacidade de criação. Logo, o corpo social vai se descaracterizando, fortificando, dentre os cidadãos, uma sensação de liberdade ilusória e de autonomia crítica.

Portanto, é imprescindível que medidas sejam tomadas para a dissolução dessa conjuntura. Para tal, o Ministério da Cidadania, por meio de verbas governamentais, deve, em parceria com instituições privadas, investir verbas nos programas de artes e criar um vale “cultura” para cidadãos de baixa renda, a fim de tornar as produções artísticas valorizadas e democráticas. Nessa óptica, seriam aplicados recursos financeiros para o desenvolvimento de obras e performances artísticas nas escolas e centros de cultura, além de oferecer um auxílio mensal para que as pessoas de baixa renda possam estar em espaços de exposição de música, dança, teatro e artes visuais. Somente assim a produção artística brasileira seria respeitada e incentivada, levando à formação do senso crítico e autonomia do cidadão.