Os desafios da produção artística no Brasil
Enviada em 02/09/2020
Na Semana de Arte Moderna, em 1922, a pintora Anita Malfatti foi criticada no Brasil pelas suas obras expressionistas não serem habituais, rompendo com a tradicionalidade da época. Dessa forma, é visível a defasagem da população em relação as inovações estéticas nas obras apresentadas em São Paulo pela artista. Posto isso, os dilemas para as produções artísticas como a manipulação da ideia de arte e o descaso com as produções culturais ainda subsistem no século XXI.
A priori, a imagem de arte no campo brasileiro é voltada para o gosto de uma minoria, ao contrario disso, não é relevante e nem recebe credibilidade. Dessarte, com a criação do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) em 1939, do qual o país passava pelo regime de Getúlio Vargas, a censura e a propaganda foram ferramentas significativas para a coerção das obras e informações, uma vez que programas de rádios como “A Hora do Brasil”, foram criadas para propagandear informações selecionadas, reprimindo muitas outras obras para eruditar o público. Não obstante da fase de Vargas, em 2017 o prefeito paulistano João Doria Junior criou um programa “São Paulo Cidade Linda”, em que visava a remoção das pinturas de grafite do pintor Alex Vallauri dos painéis da avenida 23 de Maio. Diante desse viés, os desafios para produzir e difundir a arte na sociedade torna-se fatigante.
A posteriori, na música “A Cidade dos Artistas”, o cantor Chico Buarque menciona que ser artista na cidade é comer um fiapo, é vestir um farrapo. À vista disso, é notório os impasses que uma pessoa enfrenta para realizar uma amostra de cultura, uma vez que os cidadãos não valorizam as obras culturais e devido a isso, muitos artistas não alcançam o sucesso, sendo suas obras, marginalizadas e consideradas superficiais, além do fator econômico para financiar no processo de criação e disseminação. Nesse mesmo encaixe temático, a Lei Rouanet contribui como incentivo a cultura, custeando vários projetos no país, contudo, existe desvios de verbas que muitas vezes são direcionados para artistas já renomados, dificultando a jornada daqueles artistas que precisam. Logo, necessita-se de um poder hábil para solucionar as objeções contemporâneas.
Dado o exposto, o Ministério do Turismo, através das redes sociais deve postar a importância da arte e quais o seus benefícios individuais e coletivos, para mostrar que cultura artística melhora a vida do ser humano e quebrar com quaisquer estereótipos e formas de reprimir a produção de arte, com o objetivo de expandir a liberdade de expressão e disseminar a arte pelo país. Além disso, o Governo Federal deve fiscalizar a Lei Rouanet, para que não ocorra desvio monetário e assim, garantir que não só a parte legislativa esteja precisa, mas também a parte executiva, com o desígnio de estimular a produção cultural e ajudar no crescimento de novos artistas.