Os desafios da produção artística no Brasil
Enviada em 26/10/2020
A Constituição Federal de 1988, norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro, assegura a livre produção artística como um direito inerente a toda a população. Entretanto, torna-se válido perceber que essa garantia nem sempre é colocada em prática, uma vez que manifestações de arte de camadas populares ainda são vistas com um olhar preconceituoso pelos brasileiros, consequência de uma herança histórico-cultural de dar visibilidade apenas para o estrangeiro.
Diante desse cenário, faz-se possível relacionar o processo de colonização brasileira à falta de visibilidade e reconhecimento da produção artística nacional, visto que, com a chegada de D. João VI, iniciou-se o processo de europeização fazendo com que a ancestralidade heterogênica seja ignorada. Nesse sentido, infere-se que a desvalorização da arte brasileira é uma consequência da falta de conhecimento das diferentes culturas que formaram a identidade do país.
Seguindo essa premissa, torna-se imprescindível ressaltar como produções que representam um reflexo do diferentes contextos sociais existentes no país não são valorizadas, como o caso do grafite e do funk, estilo de música e dança típico de comunidades, Dessa forma, a desigualdade é ainda mais evidente, tornando a arte mais restrita no país, sendo está de extrema importância na vivência dos cidadãos, segundo o filósofo Richard Wolheim.
Portanto, medidas tornam-se necessárias para o aumento da visibilidade artística no Brasil. Nesse contexto, o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Cultura, poderia dar maior enfoque em produções nacionais em instituições públicas e privadas de ensino, por meio do estudo e análise de quadros, grafites, músicas e danças dos diversos contextos sociais. Assim, além de aumentar o repertório sociocultural dos estudantes, essa ação diminuiria, aos poucos, a restrição da arte, fazendo com que a população brasileira valorize as diferentes ancestralidades que formam a cultura brasileira.