Os desafios da produção artística no Brasil
Enviada em 29/10/2020
Em 1917, Anita Malfatti voltou da Alemanha e trouxe para o Brasil as novidades artísticas da atual vanguarda europeia. No entanto, na sua primeira exposição de arte, deparou-se com severas críticas, e Monteiro Lobato apareceu como seu protagonista no artigo “Paranoia ou Mistificação?”. Nele, cultura brasileira era denegrida por conta da reforma modernista que tentava reconstruí-la por bases nacionais. Da mesma forma, mesmo alguns anos depois de Anita e vários outros participantes promoverem os ideais quebrados do tradicionalismo por meio da Semana de Arte Modernista, o Brasil ainda enfrenta dificuldades na produção cultural e analisá-los é essencial.
Em primeiro lugar, muitos desses obstáculos se devem a dificuldades de compreensão técnica de seu significado. Isso formou uma concepção estereotipada de arte, que a maioria das pessoas no coletivo entende como algo que não precisa ser levado a sério; caminhos alternativos; portanto, além de não menosprezar os profissionais da área, os erros de Lobato se repetirão porque não há parâmetros gerais que podem classificar as obras de arte.
Simultaneamente a este prisma, a marca social atribuída a estas obras não só interfere na visibilidade positiva das performances e performances, mas também afeta a disponibilidade de fundos para o efeito. Por exemplo, a exibição “Queermuseu” que foi cancelada devido a protestos das redes sociais, que alegaram ser ofensivo e não valia a pena investir em ações promocionais por meio da Lei Rouanet. O projeto da incentivos fiscais com apoio financeiro, contudo, é óbvio que cada vez mais a arte é tentada a escapar de seus propósitos provocativos e se tornar puro entretenimento.
Portanto, pode-se inferir que existem alguns fatores de base conservadora, que confirmam a dificuldade de criação artística no país. Para resolver esse impasse, é necessário que os profissionais do setor cultural reduzam suas dependências de incentivos públicos escolhendo o financiamento coletivo (como o “crouwdfunding” para levantar capital privado por meio da Internet) a fim de evitar críticas. Dessa forma, exposições, amostras, festivais, feiras, galerias etc. serão democratizados, visto que a arte é subjetiva.