Os desafios da produção artística no Brasil

Enviada em 05/11/2020

Ao retornar Alemanha no ano de 1917, Anita Malfatti trouxe para o Brasil as novidades artísticas das vanguardas europeias. Contudo, em sua primeira exposição, recebeu duras críticas, incluindo Monteiro Lobato que escreveu um artigo que denegria as reformas modernistas, e visava libertar as manifestações artísticas do academicismo e reconstruir a cultura brasileira. Ainda assim, tempos depois da Semana de Arte Moderna, o Brasil ainda enfrenta dificuldades no que tange à sua elaboração cultural. Primordialmente, deve-se muito desses contratempos a carência de aprimoração técnica acerca de seu significado. Assim, cria-se uma arte estereotipada, que passa a ser entendida pelo povo como algo que não merece ser levado a sério; um “hobby”. Desse modo, além de se desvalorizar os profissionais da área, se repete o erro de Lobato, uma vez que não existem parâmetros para limitar a arte. Assim sendo, o estigma atribuído à esse ofício, interfere na visibilidade positiva de performances e  impacta na disponibilidade de verbas para esse fim. Um exemplo disso, é da exposição “Queermuseu”, a qual foi cancelada devido a protestos nas redes sociais, que a  consideravam ofensiva e indigna de financiamento. Sendo assim, percebe-se que a arte é induzida, cada vez mais, a afastar-se de seu propósito, para tornar-se apenas entretenimento. Infere-se, portanto, a existência de diversos fatores pautados no conservadorismo que corroboram as dificuldades da produção artística no país. Logo, para resolver esse impasse, é necessário que os profissionais dos setores culturais reduzam a dependência de incentivos públicos, por meio da escolha por financiamento coletivo, como o “crouwdfunding”, que arrecada capital privado via internet, a fim de que se evite críticas infundadas acerca do uso do dinheiro público em investimentos artísticos. Dessa maneira, se democratizará as exposições, mostras, festivais, feiras, galerias, entre outras, visto que arte é algo subjetivo.