Os desafios da produção artística no Brasil

Enviada em 05/11/2020

De acordo com o sociólogo e ativista Herbert José, “um país não muda pela sua economia, sua política e nem mesmo a sua ciência; muda sim pela sua cultura”. Sob esse viés, a arte é essencial para uma sociedade e intrínseca a sua existência. Entretanto, o País tem enfrentado inúmeros imbróglios no que tange à produção artística. Diante disso, não só a segregação sociocultural, como também a efemeridade das relações culturais têm corroborado a permanência desses obstáculos.

A priori, destaca-se a segregação sociocultural. Nesse contexto, desde os tempos de Império, a arte trazida de Portugal se destinava à nobreza e ao clero, refletindo uma história de segregação e exclusão. De fato, esse tipo de segregação social contribui para que a população pobre e marginalizada seja colocada à margem das produções artísticas e do acesso aos bens culturais do Brasil. Com isso, há a negação do direito às artes e manifestações artísticas. Assim, a segregação cultural aumenta os desafios da produção artística por classes sociais populares e mais baixas, tanto por barreiras sociais, quanto culturais.

Outrossim, ressalta-se a efemeridade das relações culturais. Sob esse prisma, segundo Bauman em sua obra “Modernidade Líquida”, a efemeridade é o principal motor no despertar do consumo cultural. Dessa forma, a relação de comportamento do consumidor influenciado pelo ambiente digital, caracterizado pela fluidez das relações e efemeridade, desafia a produção artística na criação de produtos e experiências longas e duradouras. No que concerne a isso, o consumidor não se sente atraído pelos modelos tradicionais de representações artísticas, além de que a busca por uma experiência única e duradoura está longe da realidade acelerada do cotidiano. Destarte, testifica-se os desafios da produção artística.

Portanto, medidas devem ser tomadas a fim de resolver o óbice da produção artística no País. Posto isso, urge que o Governo Federal, em ação conjunta com os governadores, elaborem um projeto de democratização de centros artísticos para as populações mais carentes, bem como o estabelecimento de facilidades para a produção artística, com o fito de diminuir a segregação sociocultural. Ademais, é de suma importância o aumento de investimentos em exposições de arte, bem como a criação de palestras explicativas e elucidativas, para suscitar a efemeridade da arte. Levando-se em consideração os aspectos supracitados, convém enaltecer que a situação será atenuada e suprimida de forma rápida e eficaz no Brasil.