Os desafios da produção artística no Brasil

Enviada em 05/11/2020

Vinicius de Moraes, em Rosa de Hiroshima, já sugeria que pensássemos nas crianças, que pensássemos nas meninas, que pensássemos nas mulheres. Embora não tenhamos, literalmente, uma bomba atômica explodindo em nosso país, deparamo-nos com feridas abertas devido aos desafios da produção artística no Brasil. Isso não preocupa somente à sociedade, mas também ao Estado, tendo em vista que este óbice vem trazendo consigo bastantes problemas sociais.

Há quem diga que este impasse vem crescendo indiscutivelmente, tendo como principais vítimas, aqueles que buscam expor sua arte à população. Todavia, ao compor Rosa de Hiroshima, Vinicius de Moraes teve como principal objetivo um grito pacifista, o qual hodiernamente, é direcionado aos artistas de rua, obrigados à visualizarem suas obras sendo retiradas dos muros. Por conseguinte, a sociedade urge por leis mais severas, para que não haja quaisquer regalias para quem não as pratique, contrapondo as ideias dos artistas.

O óbice intensifica-se quando não é dada a devida resolução ao pleito, tendo em vista que as violências físicas e verbais, sofridas por muitos artistas, nas mais variadas classificações são verossímeis no Brasil. Diante do fato, faz-se necessária a intervenção do Estado. Sendo assim, esse anelo já era refletido pelo magnânimo filósofo prussiano Immanuel Kant, uma vez que dizia: ‘‘O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele’’. Portanto, readequar indivíduos que já são acostumados a praticarem ‘‘arte nas ruas’’ será tarefa árdua, mas possível.

Desse modo, medidas fazem-se necessárias para deliberar a problemática. Dissociar os indivíduos que ‘‘picham’’ os muros não irá solucionar o problema. Com isso, o Ministério da Cultura, em parceria com as Prefeituras Municipais, deverá elaborar programas de ressocialização, em busca de melhores condições de trabalho, e, até mesmo, aptidão, a fim de tirar os pensamentos ruins que descriminam-nos. Outrossim, o Governo Estadual, em concordância com as escolas, deverá criar programas de cunho educacional, para que a valorização do trabalho artístico seja alcançado. Só assim, deixando incólume a isonomia e garantindo os Direitos Humanos de todos, o espaço, incontestavelmente, será garantido.