Os desafios da produção artística no Brasil
Enviada em 06/11/2020
Em 1917, Anita Malfatti retornava da Alemanha, trazendo para o Brasil as inovações artísticas oriundas das vanguardas europeias vigentes. No entanto, em sua primeira exposição de arte, enfrentou duras críticas, tendo Monteiro Lobato como protagonista delas em seu artigo “Paranoia ou mistificação”. Nesse, denegria as reformas propostas pelo seguimento modernista, que visava libertar as manifestações artísticas do academicismo e reconstruir a cultura brasileira sobre bases nacionais. Similarmente, mesmo após anos da Semana de Arte Moderna, onde Anita e diversos outros participantes divulgaram seus ideais de ruptura com o tradicionalismo, o Brasil ainda enfrenta dificuldades no que tange à sua produção cultural. Dessa forma, faz-se imprescindível analisá-las.
Primordialmente, deve-se muito desses empecilhos a dificuldade de compreensão técnica acerca de seu significado. Com isso, cria-se uma estereotipação da arte, que passa a ser entendida por grande parte do coletivo como algo que não carece de ser levado a sério; um caminho alternativo; um “hobby”. Desse modo, além de se desvalorizar os profissionais da área, se repete o erro de Lobato, uma vez que não existem parâmetros universais para categorizar o fazer artístico.
Concomitantemente à esse prisma, o estigma social atribuído à essas produções, não só interfere na visibilidade positiva de apresentações e performances, como também impacta na disponibilidade de verbas para esse fim. Tem-se como exemplo disso, o caso da exposição “Queermuseu”, que teve sua atividade cancelada devido a protestos nas redes sociais, que alegavam considerá-la ofensiva e indigna de financiamento via Lei Rouanet, que fornece benefícios fiscais a instituições que invistam na promoção de eventos culturais. Sendo assim, percebe-se que a arte é induzida, cada vez mais, a afastar-se de seu propósito provocativo, para tornar-se puramente de entretenimento.
Infere-se, portanto, a existência de diversos fatores pautados no conservadorismo que corroboram as dificuldades da produção artística no país. Logo, para resolver esse impasse, é necessário que os profissionais dos setores culturais reduzam a dependência de incentivos públicos, por meio da escolha por financiamento coletivo, como o “crouwdfunding”, que arrecada capital privado via internet, a fim de que se evite críticas infundadas acerca do uso do dinheiro público em investimentos artísticos. Dessa maneira, se democratizará as exposições, mostras, festivais, feiras, galerias, entre outras, visto que arte é algo subjetivo.