Os desafios da produção artística no Brasil

Enviada em 01/12/2020

A Semana de Arte, em 1922, foi um movimento de reestrutura na produção artística cultural brasileira, promovendo a democratização das manifestações de arte no país. Entretanto, a arte contemporânea, que rompe os padrões estabelecidos, encontra-se marginalizada nos centros urbanos brasileiros. Essa realidade é fruto inegável de uma elite que visa a manutenção de seus espaços de poder usando sua influência para deslegitimar a arte de rua. Assim, entre os fatores que alicerçam essa questão, podem-se destacar as narrativas midiáticas, bem como a atuação negligente do sistema político.

Em primeiro plano, é válido analisar como os discursos dos meios de comunicações, aliados à atuação das elites, solidificam essa problemática. Isso ocorre porque os veículos de informação são sustentados por grandes empresas e, assim, são utilizados como instrumentos de manobra da aristocracia brasileira para perenizar a cultura elitizada restringindo a projeção social das artes periféricas. Essa conjuntura é convergente ao termo “Arbitrário Cultural”, cunhado pelo sociólogo Pierre Bourdieu, que descreve a edificação social fundamentada na perpetuação de uma cultura supostamente melhor em detrimento da inferiorização das demais, uma vez que ao ocultarem as diversas formas de manifestações artísticas no espaço publicitário as mídias contribuem com a manutenção desse paradigma de categorização da cultura.

Outrossim, torna-se imperativo observar como a ausência de políticos que representem o interesse dos artistas de rua gera a tendência social de depreciar a arte popular. Essa situação advém de gestores públicos que visam somente seu capital político e eleitoral e conduzem seus mandatos em prol dos interesses elitistas e, dessa forma, não identificam nas políticas públicas, voltadas à ampliação dos direitos desses artistas, possibilidade de reeleição. Esse pensamento assemelha-se ao retratado no livro “Raízes do Brasil”, no qual Sergio Buarque de Holanda, alega que o Brasil é, na verdade, uma república oligárquica na qual as vias democráticas são recursos de quem detêm o poder, já que essa alegação justifica a ação omissa do poder público em garantir o direito de todos os cidadãos.

Visto isso, constata-se que os desafios da produção artística no Brasil é ampliado pela tentativa da elite em manter seus espaços de poder. Desse modo, urge que o Governo Federal, por meio de um Decreto Federativo, elabore um Plano Nacional de Valorização à Arte Popular, a fim de promover a igualdade da multiculturalidade brasileira. Assim, esse Plano deve regulamentar as propagandas midiáticas objetivando promover a representatividade artística, além de garantir que governantes não possam negligenciar a arte popular em sua administração. Com isso, os ideais da Semana de Arte serão de fato contemplados na sociedade brasileira.