Os desafios da produção artística no Brasil

Enviada em 26/08/2021

Sob o viés antropológico, a arte na cronologia da humanidade sempre teve diversos signos, ora histórico, ora político, ora entretenimento, ou até mesmo um mero bem material. Nesse sentido, a interpretação de tais signos dependem da ótica e da educação do interlocutor, ou seja, a arte é mais uma, dentre outras, formas de diálogo. Assim, destaca-se a sua importância social devido à tal pluralidade. À luz desse enfoque, é fulcral ressaltar que a produção artística, no Brasil, apresenta desafios em virtude da inoperância estatal e da letargia social.

Diante desse cenário deletério, cabe salientar, precipuamente, a indiligência governamental no espectro brasileiro. Nesse prisma, em conformidade com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, algumas instituições, na pós-modernidade, configuram-se como zumbis, pois largaram suas respectivas incumbências sociais. Dentro dessa lógica, é possível observar que o Ministério da Educação se tornou uma corporação zumbi, dado que não apresenta êxito perante as ações e políticas públicas que promovam a produção artística. Isso é perceptível, lamentavelmente, seja pela carência de obrigatoriedade em todos os anos do ensino de arte no ensino médio e fundamental, seja pelo pouco espaço destinado a exposição de artes por preços acessíveis. À vista disso, infere-se que a ineficácia da máquina administrativa estatal inviabiliza ações concretas que resolvam o tema e cerceia a produção artística a uma realidade de decadência e segregação socioeconômica.

Além dessa mácula governamental, também são preocupantes, no cerne da contemporaneidade, as origens e consequências da ignorância social. De certo, mediante os dogmas do filósofo espanhol Adolfo Vázquez, o aumento da frequência de um determinado evento fomenta, erroneamente, sua naturalização. Com efeito, é indubitável que, infelizmente, há uma simetria entre essa teórica ação indiferente e a realidade, haja vista que os brasileiros normalizaram o ato de transformar em tabu temas desconfortantes, o que gerou frutos como a repreensão contra a produções artísticas com signos críticos. Isso posto, depreende-se a grande importância da atitude do corpo social, porquanto, enquanto a sociedade for inerte, a arte será banalizada e sua pluralidade, perdida.

Dessarte, fica claro que a inoperância estatal, aliada à ignorância social, é a gênese desse revés. Assim, com o intuito de promover a produção artística e todas suas nuanças, o Ministério da Educação deve tornar obrigatório o ensino da arte, por meio das escolas e faculdades, além de programas em redes televisionadas nacionais — para que se possa atingir um público desde os jovens até os idosos. Outrossim, o governo federal deve dar isenções fiscais a museus e teatros, com o intuito de baratear o acesso a eles. Espera-se, com isso, que os signos artísticos continuem a fazer parte do Brasil.