Os desafios da produção artística no Brasil
Enviada em 31/05/2022
Em homenagem ao Alex Vallauri, o primeiro grafiteiro no Brasil, 27 de março é conhecido como o Dia Mundial do Grafite. No entando, embora seja reconhecido, o grafite, entre outras produções artísticas, ainda é visto como algo imoral, marginal e inapropriado. Isso decorre não só do silenciamento do trabalho artístico, mas também da falta de oportunidades no meio.
Nessa linha de raciocínio, a inviabilização da arte é um desafio que precisa ser superado. Com efeito, em 2017, o prefeito de São Paulo, João Dória, anunciou o programa “São Paulo Cidade Linda”, que visava apagar os painéis e grafites de algumas avenidas da cidade. Sabe-se que as produções artísticas estão ligadas diretamente à cultura do local, por esse motivo, as tentativas de silenciá-las são atitudes que buscam segregar e grupos sociais e culturais. Assim, contribuindo para o crescente descaso e preconceito com artistas urbanos independentes, que em sua maioria, são pessoas pobres em busca de uma chance de exibir sua arte.
Além disso, a falta de oportunidades é outro fator que precisa ser debatido. Dessa forma, o conceito “Indústrial Cultural”, desenvolvida por Adorno e Horkheimer, se refere à ideia de produção em massa, comum nas fábricas e indústrias, que passou a ser adaptada à produção artística. Em virtude disso, criou-se uma população habituada a consumir conteúdos de escala global, voltados justamente a esse caráter capitalista. Logo, diversos artistas que não se enquadram nesse modelo de consumo, embora tenham um enorme potencial, não possuem a visibilidade necessária para o destaque e acabam sendo sucateados por esse sistema.
Portanto, urge que o governo federal incentive, de maneira mais ativa, a produção artística independente, através da criação de centros comunitários artísticos para a exibição de teatros, concertos musicais e pinturas dos artistas locais, bem como a criação de oficinas, com professores capacitados em cada segmento, para o aprendizado de técnicas artísticas e palestras sobre o mercado e oportunidades, de modo a promover a exposição de artistas locais e o desenvolvimento pessoal dessas pessoas. Para que, feito isso, a produção artística no Brasil seja mais valorizada e diversa.