Os desafios da relação entre o homem e o meio ambiente

Enviada em 01/11/2018

Em sua obra “Canção do Exílio”, Gonçalves Dias ressalta o nacionalismo ufanista, típico da primeira geração romântica, ao exaltar elementos da fauna e da flora brasileira. Contudo, verifica-se que, no contexto atual, a admiração demonstrada cede cada vez mais espaço à ganância humana, fato que causa a destruição de grande parte dos encantos retratados no texto. Nesse âmbito, o caráter majoritariamente agroexportador da economia brasileira, bem como a escassez de projetos sustentáveis no cenário nacional, caracteriza-se como desafio a ser superado, a fim de promover a harmonia entre as ações humanas e o meio ambiente.

Primeiramente, convém ressaltar que a exploração hiperbólica dos recursos naturais visando à obtenção de lucro é uma problemática vigente no Brasil desde o início da colonização lusitana. Nesse viés, o sistema agrícola de “plantation” – praticado no país desde o século XVI – ainda é a base da economia nacional. Dessarte, por demandar o desmatamento da vegetação original das áreas destinadas à plantação monocultora, esse modelo produtivo corrobora a perda da biodiversidade, o empobrecimento dos solos e a redução da captura de gás carbônico, de modo a favorecer o aquecimento global. Assim, tem-se como exemplo no cenário hodierno o cultivo da soja, especialmente no Cerrado brasileiro que, apesar de fomentar o mercado, gera inúmeras perdas naturais.

Ademais, se por um lado as práticas antrópicas no ambiente rural contribuem para mazelas ambientais, por outro, a falta de ações que possibilitam a reciclagem de recursos ocasiona o mesmo efeito. Nessa vertente, sabe-se que um dos principais problemas ambientais no país é, sem dúvidas, a abundância de resíduos gerados pela população. Entretanto, observa-se que muitos desses detritos são descartados de maneira equivocada, haja vista que, segundo dados do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, apesar de 30% do lixo produzido no país ter potencial de reciclagem, apenas 3% passam pelo processo. Dessa forma, constata-se a ineficácia dos programas de coleta seletiva.

Urge, portanto, a adoção de medidas que amenizem os desafios supracitados. Logo, é preciso que Poder Legislativo, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, delimite áreas para a monocultura, além de elaborar leis que garantam que as empresas que desrespeitarem os limites estabelecidos sejam responsáveis pelo reflorestamento e pelo pagamento de multas. Outrossim, o valor arrecadado por essas sanções deve ser utilizado pelo Governo, com o fito de investir em pesquisas de métodos que possibilitem a melhoria dos programas públicos de coleta seletiva e o aumento da produtividade do setor agrícola em menores áreas. Espera-se, com isso, promover a coexistência da preservação ambiental e dos interesses humanos e retomar a admiração presente nos textos do Romantismo.