Os desafios da relação entre o homem e o meio ambiente

Enviada em 08/07/2019

Segundo a Ética da Responsabilidade desenvolvida pelo filósofo alemão Hans Jonas, a natureza é de responsabilidade humana. Com isso, Jonas quis dizer que o homem possui um compromisso com o meio ambiente, que deve servir como um arquétipo para ações responsáveis. No entanto, o homem enfrenta hoje grandes desafios em sua relação com a natureza, que culminam em resultados irreversíveis já testemunhados no presente.

Se o desenvolvimento técnico e científico trouxe, por um lado, um avanço tecnológico nunca antes visto, por outro, mostrou por meio de catástrofes seu potencial poder de destruição, em especial no que diz respeito à relação homem-natureza. O rompimento da barragem do Feijão, em Brumadinho, no início de dois mil e dezenove, serviu para ilustrar a falta de disciplina do homem para com o meio ambiente, já que a falta de fiscalização e manejo adequados resultaram em uma onda de lama que levou consigo centenas de vidas e uma enorme biodiversidade. Assim, fica claro que o primeiro grande desafio entre o homem e a natureza se encontra na ausência da noção de que essa não está totalmente sob seu controle e de que ações inadequadas podem resultar em consequências cataclísmicas.

É de suma importância destacar também a forma como o modelo da sociedade interfere na relação do homem com o ambiente. A rápida expansão urbana que se verifica faz com que a natureza perca cada vez mais espaço, cedendo lugar para casas, prédios e rodovias. Até mesmo locais antes pouco ocupados estão sendo escolhidos como sedes de transnacionais que buscam menores preços para investimento. Dessa forma, fica evidente que a natureza é comumente deixada em segundo plano em prol de projetos economicamente vantajosos, o que demonstra a grande barreira da ambição humana.

Visto isso, é possível inferir que a relação do homem com o meio precisa ser revista, dados os desafios que a permeiam. Para tanto, é necessário que o governo aumente a supervisão sobre as empresas, sob risco de punições mais severas àquelas que não garantirem a segurança do meio e da população local. Cabe também ao Ministério do Meio Ambiente e a ONGs de preservação ambiental a elaboração de projetos de leis que visem amenizar os danos causados pela expansão urbana, por meio, por exemplo, de corredores ecológicos, que promovem a diminuição da perca da biodiversidade em locais que sofreram a intervenção humana, colocando em prática a Ética de que falava Hans Jonas.