Os desafios da relação entre o homem e o meio ambiente

Enviada em 02/07/2019

O conceito de desenvolvimento sustentável surgiu como indispensável a partir do documento “Nosso Futuro Comum”, conhecido como Relatório Brundtland, e foi incluído entre os princípios da Constituição Brasileira em 1988. Contudo, o desequilíbrio entre os indivíduos e a natureza , no Brasil, cristaliza-se uma das contradições mais desfavoráveis na prosperidade de um país, o que se deve à inadimplência das políticas públicas, bem como à falta de uma sensibilização ambiental na população.

É importante considerar, de início, que a escassez de uma estrutura ambiental como pauta governamental constitui um campo fértil para o agravo desse cenário. Nesse sentido, em consonância com o conceito “Ética e Responsabilidade”, proposto pelo filósofo Hans Jonas, somos responsáveis não somente pela situação presente, mas também pela existência de uma autêntica vida para as gerações futuras. Entretanto, contrariando essa máxima, a estrutura estatal, frequentemente catalisada pelo viés lucrativo, deixa de contemplar mecanismos que fomentam o controle resiliente entre o desenvolvimento e a integridade do meio ambiente, o que, de fato, repercute diretamente em políticas brandas contra o desmatamento, por exemplo, bem como quadros de desequilíbrio ecológico, como a tragédia de Brumadinho, fruto da irresponsabilidade pública e privada.

Outrossim, é factível que o distanciamento de uma mentalidade ecológica entre os indivíduos é igualmente fator desse entrave. Dessa maneira, de acordo com o filósofo Schopenhauer, os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Sob esse prisma, o sujeito, ao estar imerso em um panorama social pouco engajado na assimilação de uma educação ambiental, acaba, por vezes, sustentando um olhar reducionista sobre a natureza, refletindo em uma menor compreensão da importância de suas ações indispensáveis, a exemplo, medidas de reciclagem. Com efeito, é notório que indivíduos poucos críticos quanto a relevância de suas atitudes reverberam uma cosmovisão social que inviabiliza a reciprocidade entre a sociedade e o meio ambiente.

É imperioso, portanto, medidas sinérgicas no embate a esse cenário. Assim, cabe ao Ministério da Educação, juntamente com o Ministério do Meio Ambiente, proporcionar uma ambientação educacional mais crítica quanto ao respeito pela natureza. Isso pode ser concretizado por intermédio de projetos vinculados a universidades que contemplam ações e agentes ecológicos, para que, a partir de palestras e diálogos nas escolas, adaptando a compreensão de cada série, seja possível transcender um pensamento mais holístico quanto à preservação ambiental. Enfim, a partir da materialização desse engajamento, poder-se-á, gradativamente, potencializar diferentes autores na reivindicação de uma estrutura social e estatal em consonância com a vitalidade perene da natureza.