Os desafios da relação entre o homem e o meio ambiente

Enviada em 14/10/2019

Na obra ‘‘Quarto de despejo: diário de uma favelada’’ da escritora Carolina Maria de Jesus, apresenta-se a rotina da protagonista, que é composta por recolher papéis e alumínios encontrados pelas ruas de São Paulo para posterior reciclagem, assim, é capaz de prover o sustento de seus filhos. Nesse contexto, fica claro que a contemporaneidade brasileira foi responsável pelo crescimento do descarte inadequado de materiais, pois a população tornou-se cada vez mais consumista e inconsequente. Desse modo, as grandes corporações, almejando ampliar seu capital, fazem uso de processos prejudiciais ao meio ambiente com o intuito de atender a alta demanda frequente de novos produtos.

Primeiramente, é perceptível que a velocidade e imediatismo das necessidades humanas compromete a tomada de decisões conscientes, além disso, há uma ausência de informatividade que auxiliaria em ações favoráveis ao ambiente, devido ao precário sistema de ensino que não inclui educação ecológica na programação escolar, consequentemente, ampliando a ignorância ambiental. A despeito disso, o filósofo Hans Jonas afirmara o princípio da responsabilidade, que consiste no necessário dever de responder pelo futuro das pessoas e do planeta. Dessa maneira, envolver-se e praticar ações que permitam o desenvolvimento sustentável é tornar-se um cidadão pró-ecológico ativo na sociedade.

Ademais, as multinacionais, objetivando o lucro, utilizam formas de produção que comprometem profundamente a atmosfera, mesmo conscientes da dimensão de seus atos. Dessa forma, o capitalismo inconsequente, ao invés de facilitar e modernizar a vivência, em breve será o responsável  pela necessária elaboração de procedimentos que permita a sobrevivência da vida na Terra; investindo, por exemplo, alta porcentagem de seu capital na restituição da camada de ozônio e controle do aquecimento global. Nesse viés, compras éticas, baseadas nas informações sobre as empresas e produtos, é boicotar corporações que violem os direitos humanos, ambientais e animais.

Faz-se necessária, portanto, uma coesão entre Poder Legislativo e Ministério da Educação (MEC) para mitigar a problemática. Primeiramente, é fundamental que a câmara dos Deputados sancione uma lei que cobre impostos pesados sobre as atividades ambientalmente destrutivas, promovendo maior responsabilização das empresas sobre seus atos. Não obstante, deve direcionar incentivos fiscais para iniciativas privadas de reflorestamento e reciclagem, de modo a incentivar atividades ambientais positivas. Além disso, cabe ao MEC adicionar aos currículos escolares a matéria de educação ambiental desde o ensino infantil, com o auxílio de professores capacitados, pode-se promover atividades lúdicas que desenvolvam a informatividade e o engajamento ambiental das crianças desde cedo. Somente assim, espera-se que Carolina Maria de Jesus não seja mais a única catadora de papel.