Os desafios da relação entre o homem e o meio ambiente

Enviada em 17/10/2019

Numa sociedade vetusta, com os desdobramentos dos processos industriais, a denominada Revolução Verde intensificou tanto a produção agrícola quanto, infelizmente, a degradação ambiental proveniente dela. Persistindo atemporalmente, nota-se que a relação do desenvolvimento sustentável e interesses antropológicos é conflitante e, por isso, tornou-se uma problemática social hodierna. Logo, entre os fatores que contribuem para solidificar esse quadro destacam-se a bancada ruralista, bem como a estrutura econômica brasileira.

A priori, a presença de governantes ligados ao setor agropecuário produz um cenário propício à leis de benefício econômico em detrimento dos recursos ecológicos. De maneira análoga a esse cenário, o documentário " A Lei da Água", dirigido por André D’Elia, esclarece as mudanças promovidas pelo novo Código Florestal e como a lei impacta diretamente a floresta, água e recursos biológicos. Produzida ao longo de 16 meses, a obra baseia-se em pesquisa e 37 entrevistas com ambientalistas , ruralistas, agricultores e, ainda, retrata casos concretos de degradação ambiental frente à posição política vigente. Consequentemente, a presença de representantes que visem a economia acima do meio ambiente, impede que técnicas agrícolas sustentáveis entrem em vigor e concilie os interesses de conservação.

Outrossim, é evidente que a matriz econômica tupiniquim depende da produção de commodities em larga escala. Por conseguinte, embora a Constituição Federal delineie, no artigo 125, que um meio ambiente preservado é direito de todos e de responsabilidade do Estado e da sociedade, os meios de produção, diversas vezes, representam uma ameaça ao cumprimento desse ínterim. Sob outro ângulo, o Relatório de Brundtland (Nosso Futuro Comum), defende que a produtividade econômica deve possuir características que preservem o meio ambiente e garantam o pilar coletivo. Desse modo, desenvolver ideais agrícolas aliados ao tripé da sustentabilidade (economia, meio ambiente e justiça social) faz-se crucial na resolução da problemática.

Portanto, cabe às ONG’s socioambientais e corpo social identificar, preparar e apoiar as candidaturas de líderes ligados ao discurso ambiental a fim de que no Congresso Nacional haja representatividade e luta pela preservação ecológica. Ademais, os Ministérios do Meio Ambiente, da Agricultura e da Ciência, Tecnologia e Inovação devem fornecer mais subsídios às universidades e instituições acadêmicas que possuam projetos e tecnologias sustentáveis -principalmente ligados às atividades agrícolas- com o fito de aplicá-los em larga escala e obter uma produção econômica eficaz e que preserve o meio ambiente. Talvez, assim, o tripé da sustentabilidade seja estabelecido e o artigo 125 respeitado.