Os desafios da relação entre o homem e o meio ambiente

Enviada em 30/03/2020

Em 1972, o etologista John Calhoun construiu uma utopia roedora. Nesse experimento, o cientista estava almejando analisar os roedores em um ambiente totalmente sustentável, com recursos abundantes à sobrevivência, conhecido como “Universo 25”. Conquanto,a sociedade roedora - por comportamentos insustentáveis - começou a decair, os recursos tornaram-se escassos e houve o seu declínio. Fora do experimento, é fato que a realidade apresentada por Calhoun pode ser relacionada ao mundo atual, haja vista a cultura do consumo, bem como a modernidade líquida.Nessa perspectiva, esses desafios devem ser superados de imediatos para que uma sociedade sustentável seja alcançada.

Em primeiro lugar, para entender a relevância do tema, é fundamental compreender o consumismo hodiernamente.De acordo com o sociólogo alemão Karl Marx, o consumo tornou-se um ato de adoração, atribuído à um valor simbólico e transcendente ao que o produtor determina, afastando o objetivo principal de consumir mercadorias com utilidades e serventias.Diante do exposto, é essencial analisar a insustentabilidade consumista e o hedonismo efêmero, visto que essas atitudes corroboram para uma sociedade insustentável e inconsciente às externalidades do consumo, prejudicando a conservação do meio ambiente e aproximando o quadro atual em um possível futuro de Calhoun. Dessa maneira, é um equívoco não considerar a imperativa ação para mitigar esse estorvo.

Faz-se mister, ainda, salientar a liquidez contemporânea como impulsionadora e agravante ao estigma.Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a falta de solidez nas relações sociais é característica da “modernidade líquida” vivida no século XXI, em que os indivíduos são mais individualistas, abdicando a concepção de bem-estar social da coletividade e tornando-se cada vez mais insustentáveis.Diante de tal contexto, a sociedade, marcada por essa liquidez, tende a ser mais imediatista e volátil, afetando, em um aspecto socioambiental, a sustentabilidade e a manutenção do consumo consciente, haja vista que a volatilidade impossibilita o pensamento a longo prazo e o sentimento coletivo.

Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver esse entrave. Desse modo, urge que o Ministério da Educação, em junção com o Ministério do Meio Ambiente, deve estabelecer nas instituições escolares, por intermédio de verbas governamentais, projetos educacionais relacionados ao exercício da sustentabilidade e a educação ambiental, com o objetivo de educar e promover a coletividade e a conservação do meio ambiente. Ademais, cabe também à mídia, como formadora de opinião, incentivar, por meio de propagandas, com a finalidade de estimular e reforçar a importância do consumo consciente como instrumento sustentável. A partir dessas ações, a sociedade alcançará o estágio oposto do Universo 25.