Os desafios da relação entre o homem e o meio ambiente
Enviada em 12/07/2020
De acordo com o filósofo alemão Hans Jonas em ‘‘O Princípio da Responsabilidade’’, o ser humano deve buscar uma vivência de modo que crie condições para que as futuras gerações tenham elementos suficientes para viver. Contudo, análogo a realidade, observa-se um descompasso desse princípio, à medida que a relação entre o homem e o meio ambiente caracteriza-se de modo desarmônico. Isso torna-se um desafio a ser superado para a concretização de uma relação sustentável.
Primeiramente, é válido ressaltar que a desarmonia entre o homem e a natureza é um percalço para a sustentabilidade. Os filósofos Adorno e Horkheimer concluíram em ‘‘Dialética do Esclarecimento’’ que os homens sempre submeteram a natureza aos seus interesses. Isso assemelha-se ao atual cenário brasileiro, na medida que a exploração e o desmatamento, a exemplo da Amazônia, tem aumentado em 222% nos últimos anos segundo o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Com isso, a relação de instrumentalidade tem sido um percalço para uma relação de equilíbrio sustentável entre o homem e o meio ambiente.
Outrossim, a falta de uma fiscalização eficaz que objetive coibir ações danosas ao meio ambiente é outro desafio a ser superado. Embora haja uma boa política ambiental no país, representada pelo Código Florestal, a escassez de recursos repassados aos órgãos fiscalizadores, como o Ibama e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), assim como o precário alinhamento institucional, dificultam a coibição de ações que acabam destruindo o meio ambiente.
Infere-se, portanto, que o problema mostra-se contrário ao princípio defendido pelo filósofo Hans Jonas. Assim sendo, cabe ao Ministério do Meio Ambiente, junto ao Ministério da Economia e da Justiça, planejar ações e repassar maiores recursos financeiros aos órgãos fiscalizadores por meio de lei complementar, objetivando dar suporte para a realização das fiscalizações. Dessa forma, criar-se-à condições para a sobrevivência das gerações futuras.