Os desafios da relação entre o homem e o meio ambiente

Enviada em 08/09/2020

Uma das bases do Iluminismo-movimento intelectual e filosófico europeu do século XVII e XVIII- era doutrina antropocêntrica, a qual propôs o homem na centralidade do universo, isto é, o ser humano não estava em uma posição de serviço a um “Deus”, pelo contrário, tudo que existia, bem como a natureza e as demais espécies, encontrava-se para satisfazer a humanidade. No entanto, tal mentalidade trouxe inúmeros problemas ambientais, os quais se sustentam no modelo de industrialização e em uma sistema educacional omisso.

Em primeiro lugar, é impossível analisar os desafios entorno da relação do homem e o meio ambiente sem observar o sistema industrial instaurado no tecido social, uma vez que percebe-se que a degradação da natureza se intensificou a partir da Revolução Industrial. Nessa perspectiva, um modelo de crescimento econômico que utilizou, ao longo dos séculos, os recursos naturais de forma irresponsável, a fim de preconizar a maximização do lucro, permitiu cenários de poluição de rios e ampliação do aquecimento global, por exemplo. Desse modo, tal conjuntura destoá da civilização utopiana, presente na obra “Utopia”, do autor Thomas More, haja vista que essa, ao usar de forma responsável o que a natureza oferecia, desfrutava de uma ambiente harmônico.

Ademais, conforme o filósofo Immanuel Kant, o ser humano é aquilo que a educação faz dele. Sob tal prisma, compreende-se que a escola deve ser este espaço propício para o desenvolvimento de uma sociedade que anseia na conciliação entre o crescimento econômico e a preservação ambiental. Consoante a isso, ao detectar a permanência do ideal antropocêntrico- como já foi elucidado-, verifica-se uma instituição que distorcei-a a sua função. Isso é decorrente de um ensino tecnicista, o qual sobrepõe ao construtivista. Assim, uma educação que não se fundamenta na realidade que o individuo está inserido e nas problemáticas que precisam ser solucionadas no corpo social dificulta a mudança de postura do homem em relação ao meio ambiente.

Logo, é mister que o Estado mude esse quadro. Para tanto, faz necessário que esse órgão, mediante repasse de verbas governamentais, venha traçar políticas públicas pautadas na preservação da natureza. Nesse viés, a escola, por meio de ambientalistas e de historiadores, realizará palestras e debates fundamentados no perigo da manutenção do antropocentrismo na sociedade, no tocante a permissividade da degradação ambiental, para que, a partir de uma educação construtivista, possa desenvolver no seio social uma civilização que auxilia crescimento industrial com a responsabilidade ambiental. Diante disso, a população conseguir-se-á enfrentar os desafios entre o homem e o meio ambiente.