Os desafios da relação entre o homem e o meio ambiente

Enviada em 14/09/2020

Em “A República”, o filósofo grego Platão idealiza uma cidade livre de desordens e problemas, em que o povo trabalha em conjunto para superar todos os impasses. No entanto, fora da ilustre produção literária, nota-se o oposto das ideias de Platão, uma vez que a postura de muitos brasileiros frente à destruição da natureza é uma das faces mais ignorantes e perversas de uma sociedade. Desta feita, é urgente e inadiável analisar as principais causas dessa problemática intrinsecamente ligada a aspectos políticos-estruturais com o fito de priorizar a responsabilidade ambiental no Brasil.

Convém ressaltar, a princípio, a exploração exacerbada do meio ambiente como uma prática corroborada por fatores socioculturais. Decerto, durante a formação do Estado brasileiro, a exploração e, posterior, extinção do pau-brasil refletiram o homem como um ser prioriza as relações econômicas em detrimento da natureza. Nesse contexto, na atual engrenagem capitalista, essa perspectiva se evidencia, por exemplo, no desastre em Brumadinho, cuja busca desenfreada por minério de ferro teve como consequência a destruição da vegetação local, poluindo o solo e causando a morte de diversas espécies, além de tornar as águas do rio Paraopeba impróprias. Desse modo, é notório um cenário desafiador de um corpo social carente de educação e responsabilidade ambiental.

Sob outro prisma, consoante a Ética Planetária de Hans Jonas, o homem tem o dever moral de preservar a natureza para as futuras gerações. Nesse sentido, é salutar superar a conservação ideológica de alienação ao capitalismo selvagem. Sob essa ótica, tal conjuntura remete à priorização do consumo consciente e investimento governamental em medidas direcionadas à educação ambiental, como primordiais para combater os problemas ambientais oriundos das ações humanas. Ademais, a Carta Magna de 1988 impõe, no Art. 225, o dever da coletividade e do poder público em preservar o meio ambiente. Dessa forma, culturalizar o desenvolvimento sustentável é indubitável para promoção da concretização de deveres salvaguardados constitucionalmente.

Por conseguinte, como Durkheim propôs em seu conceito de “Anomia Social”, quando um grupo não exerce sua função, há um desequilíbrio na sociedade. Nesse âmbito, o Ministério do Meio Ambiente, órgão encarregado por promover a adoção de princípios de uso sustentável dos recursos naturais, em parceria com o Ministério da Educação, órgão responsável pela formação de cidadãos instituídos de ética, devem realizar campanhas de educação pautadas no incentivo à reciclagem, por meio de palestras socioeducativas em ambientes escolares e midiáticos, além de incentivos ficais em atividades que promovam o reflorestamento e recuperação de áreas preservadas, com intuito de alcançar as convicções platônicas, corrigir o estado de “anomia” e deixar um planeta habitável futuramente.