Os desafios da relação entre o homem e o meio ambiente

Enviada em 22/09/2020

A música “Earth Song”, do cantor Michael Jackson, retrata os impactos ambientais, causados pela ação humana, no planeta. Nesse sentido, a canção não destoa da realidade brasileira, pois, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil é o país que mais desmata no mundo. Desse modo, o consumo desenfreado de produtos e a ineficácia das leis, para crimes ambientais, atuam como agravantes do atual cenário.

Em primeira análise, faz-se necessária uma avaliação sobre o perfil do consumidor brasileiro. Sendo assim, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que a produção de lixo, no território brasileiro, tem aumentado em 40 por cento nos últimos cinco anos. Tal situação é reflexo de uma busca desenfreada por itens de lançamento - que representam riqueza e “status”- e assim, esses objetos  acabam se tornado lixo em um tempo cada vez menor. Nessa perspectiva, Guy Debord, sociólogo e filósofo, reflete essa sociedade em seu livro, “Sociedade do Espetáculo”, em que a comunidade é voltada, exclusivamente, ao consumo descontrolado de objetos que possuam apreço social, e a natureza fica em segundo plano, quando o assunto é  expor o poder aquisitivo.

Ademais, a falta de uma legislação que puna, realmente, delitos que acometem o meio ambiente dificultam ainda mais a situação. Dessa forma, segundo uma pesquisa, feita pelo jornal Folha de São Paulo, o Brasil é o 2º país com as leis mais brandas, no mundo, para a utilização de recursos naturais, e os grandes latifundiários são os principais infratores das leis de preservação ambiental. Isso  acontece porque há uma falta de fiscalização, por parte dos órgãos competentes, nas áreas que devem ser preservadas, e os indivíduos - que cometem crimes ambientais- não se sentem intimidados a cometer tal ato, devido a ausência de penas que os façam repensar suas ações.

É imprescindível, portanto, que o Estado busque medidas para frear o consumo de produtos sem necessidade e imponha punições para crimes ambientais. Com isso, o Ministério da Educação e Cultura, em parceria com a mídia televisiva aberta, deve promover a diminuição da produção de lixo, por meio de campanhas publicitárias - exibidas nos televisores- que mostrem os impactos causados no meio ambiente pelo consumo exacerbado, a fim de estimular os brasileiros a utilizar os seus produtos por mais tempo, e consequentemente, diminuir a quantidade de lixo. Além disso, o Ministério do Meio Ambiente precisa melhorar a preservação ambiental no país, por meio da criação de um projeto de lei, entregue à Câmara de Deputados, propondo a criação de penas mais severas para crimes que afetem a natureza, para que os praticantes de tal ato pensem antes de cometê-lo novamente. Assim, espera-se com essas medidas harmonizar as relações entre o homem e o meio ambiente.