Os desafios da relação entre o homem e o meio ambiente

Enviada em 29/09/2020

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social caracteriza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, fora da ficção, o que se observa na contemporaneidade é o oposto do que o autor apresenta, uma vez que a destruição ambiental exibe barreiras as quais dificultam a concretização das ideias de More. A respeito disso, esse cenário antagônico é fruto tanto da deficiência no ensino do Brasil, quanto da pouca preocupação das autoridades com o problema, tornando necessário a discussão desses aspectos.

De início, vale pontuar que a educação é o fator principal no desenvolvimento de um país. Atualmente, com o Brasil estando entre os dez colocados na economia mundial, seria lógico acreditar que a nação possui um sistema de ensino apropriado. Contudo, a realidade é o oposto e o resultado disso é refletido no comportamento de despreocupação dos indivíduos no quesito preservação do meio ambiente. Nessa perspectiva, isso ocorre devido à ausência, nas escolas, de educação ambiental e de discussões sobre a importância da conservação da fauna e flora. Assim, forma-se indivíduos inconsequentes com seus atos ao ecossistema. Dessa maneira, é perceptível a potencialização dos danos contra o meio ambiente como consequência da precariedade do ensino brasileiro.

Faz-se mister, ainda, ressaltar que a problemática deriva, também, da baixa atuação dos setores governamentais no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Acerca disso, segundo o filósofo Thomas Hobbes, o Estado é responsável pelo bem-estar da nação, entretanto, isso não ocorre no Brasil, já que são insuficientes ou ineficazes os projetos que tenham como finalidade a preservação ambiental. Em relação a isso, vale analisar um relatório divulgado pela World Wide Fund for Nature, o qual revelou que, por ano, 1,4 milhão de campos de futebol de área verde desaparecem do território brasileiro, evidenciando o descaso das autoridades com a preservação da natureza. Nessa sequência, torna-se imprescindível a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Portanto, cabe ao Ministério da Educação, por meio de verbas governamentais, instituir, na grade curricular das escolas, disciplinas voltadas à educação ambiental, que detalhem a importância da preservação do ecossistema e os perigos no caso da ausência dela, com o fito de que haja a conscientização sobre a temática. Outrossim, o Estado, por intermédio do Ministério do Meio Ambiente, deve fiscalizar as áreas verdes do país, punindo com rigidez os causadores de algum tipo de dano a elas, a fim de preservá-las. Dessa forma, a relação entre o homem e o meio ambiente seria, em médio e longo prazo, aperfeiçoada, e a coletividade estaria um passo mais próxima da “Utopia” de More.