Os desafios da relação entre o homem e o meio ambiente

Enviada em 08/10/2020

Norberto Bobbio, nas páginas de “A Era dos Direitos”, ao dividir os direitos em quatro gerações, aponta, a partir da terceira, a relevância da proteção ao meio ambiente. Contemporaneamente, os prejuízos das ações antrópicas à natureza afrontam a premissa do autor italiano, materializados no uso desenfreado de agrotóxicos e no crescente consumismo. Com efeito, a harmonia na relação entre homem e ecossistema apresenta inúmeros desafios para seu estabelecimento no Brasil, como a ineficácia governamental e a passividade da população.

Em primeira análise, a ineficiência operacional do Estado mostra-se um empecilho para a relação humana com o meio ambiente no país. Essa percepção tem origem na secundarização dessa pasta pública, em detrimento de interesses supérfluos da classe dominante, a qual, agravada pela corrupção endêmica, não permite o adequado investimento financeiro no desenvolvimento sustentável e na fiscalização de reservas ambientais. Nesse sentido, a negligência quanto às demandas ecossistêmicas correlaciona-se à obra “Bases do Autoritarismo Brasileiro”, de Simon Schwartzman, na medida em que afirma que as agendas estatais frequentemente existem para satisfazer os objetivos dos grupos de poder, não para suprir as necessidades do corpo social. Desse modo, a displicência do Poder Público deslegitima o direito destacado por Bobbio a partir da precarização da preservação natural.

Em segundo plano, a apatia social perfaz-se como entrave para a construção de uma relação homem-natureza harmônica. Esse fato decorre do parco esclarecimento crítico da sociedade na desconstrução de comportamentos danosos aos biomas, como a produção excessiva de lixo e o desperdício de água, os quais, pela reprodução cotidiana, inibem o funcionamento dos princípios sustentáveis protegidos pelas leis ambientais. Nesse contexto, Pedro Jacobi, em “Educação Ambiental, Cidadania e Sustentabilidade” afirma que a normalização de práticas que degradam o meio faz indispensável o despertar de consciência sobre o papel populacional no avanço ecológico. Dessa forma,a resolução desse quadro impõe-se como crucial demanda pela promoção do ensino ambiental.

Portanto, a fundamentação de um vínculo saudável entre a humanidade e o meio ambiente apresenta obstáculos governamentais e sociais. À vista disso, o Poder Executivo Federal deve investir substancialmente na potencialização de políticas públicas sustentáveis, por meio da otimização do monitoramento em áreas de risco ambiental, com a ampliação da capacitação e treinamento de profissionais que fiscalizarão tais locais, a fim de minimizar o desgaste dos recursos naturais. Somente a partir de medidas como esta e do eficaz incentivo à educação ambiental, a garantia da sustentabilidade será uma realidade empírica para a nação.