Os desafios da relação entre o homem e o meio ambiente

Enviada em 23/10/2020

No filme “Wall-e", é descrita a vida de um dos robôs construídos para limpar a Terra, que, no contexto da produção, estaria inabitável por seus lixo e poluição. Embora seja uma ficção, o cenário distópico da obra parece refletir, em partes, a relação do homem com o meio ambiente. Isso porque, sobretudo em razão do desenvolvimentismo e estruturalidade do impacto, os resultados negativos do contato com a natureza são vistos e, persistindo no imaginário, aproximam um futuro progressivamente insustentável.

Convém ressaltar, primeiramente, que o problema advém, em muito, dos interesses econômicos. Segundo Karl Marx, a maximização dos lucros conduz o capitalismo à deterioração de sua matéria prima, isto é, da natureza. Sob esse viés, é possível associar o raciocínio de Marx com os primórdios desse sistema, o qual, fomentado na Revolução industrial, desde já foi movido pelo carvão, espécie não renovável e poluente. Entretanto, a realidade primitiva, incorporada graças à falta de meios alternativos, ainda hoje é presente, mesmo com uma gama de expoentes renováveis, já que, de acordo a Empresa de Pesquisa Energética, 87% da matriz mundial é sustentada por energias “sujas”. Em síntese, tal questão decorre do desinteresse em fontes limpas, as quais, não investidas por entravarem a cômoda exploração desenvolvimentista, tornam-se, em suma, mais caras, sendo desvantajosas à economia, tal qual a sustentabilidade, o que perpetua a degradação do meio ambiente em vista dos lucros.

Cabe mencionar, em segundo plano, que o avanço econômico despreocupado com o desgaste ambiental é estrutural, fato que dificulta a estagnação do abuso. Nesse sentido, Monteiro Lobato já afirmava em sua obra “Urupês”, na qual relata cenas de desmatamento praticadas em favor da agro exportação, que “as queimadas são uma praga tão antiga quanto a corrupção”. Essa herança devastadora, por sua vez, pode ser explicada com discurso de Pierre Bourdieu, quando defende a existência do “habitus”, fenômeno de adesão das práticas e valores sociais de acordo com a vivência. Assim, dado que a recorrência de atos insustentáveis permitiu a origem e prosseguiu com o capitalismo, é justo reconhecer que esse cenário se estenderá com a propagação do ideal desenvolvimentista.

Infere-se, portanto, que a problemática relação do homem com o meio ambiente é vantajosa à economia, questão que desafia a alteração desse quadro. Entretanto, a fim de amenizar os efeitos negativos no Brasil, urge que o Ministério de Minas e energia, do qual é competência manter o desenvolvimento sustentável, proponha a outorga de uso das energias renováveis (como eólica, solar) em 30% da demanda energética de indústrias de médio e grande porte