Os desafios da relação entre o homem e o meio ambiente

Enviada em 23/10/2020

O conto folclórico do Curupira, menino com cabelo em chamas que protegia a mata e os animais selvagens, expressa o temor quanto à natureza em um contexto de desrespeito ambiental. Hodiernamente, a dicotomia imposta entre produtividade e preservação,  como também o consumo exacerbado, fundamentam o antigo temor, pois apresentam-se como desafios para a relação entre o homem e o meio que o cerca.

Sabe-se, em primeiro plano, que, uma mentalidade que antagoniza a proteção ambiental e a produção de riquezas é tanto nociva à manutenção da biosfera como inconsistente. Nesse sentido, o ideário colonial de que os espaços de floresta eram áreas a serem exploradas sem limitação, em prol de ganho econômico, colaborou para a destruição de parte da flora tupiniquim. Ainda assim, líderes políticos e empresários de grande poderio econômico adotam a máxima do fisiocrata francês François Quesnay, e aplicam o “deixem fazer, deixem passar” para métodos exploratórios de matéria-prima. Contudo, o enfraquecimento de medidas que garantem o cuidado ambiental, e sua consequente devastação por um manejo irresponsável dos recursos naturais é prejudicial à economia. Dessa forma, de acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a agropecuária é diretamente afetada pela destruição do meio ambiente, o que também leva a perda financeira de recursos estrangeiros.

Constata-se, ainda, que, o consumismo é um relevante fator relacional entre homem e ecossistema, lesando o espaço e a população. Nesse contexto, a produção de lixo, decorrente do consumo exagerado e da obsolescência dos produtos, afeta a biota terrestre e marítima, pois colabora para a poluição e destruição do habitat de diversas espécies.  Além disso, o desatendimento de um importante princípio adotado na Conferência da Terra, que consiste em reduzir, reutilizar e reciclar o lixo produzido, mantém a problemática e afeta, de acordo com dados da Organização das Nações Unidas, a economia pesqueira, o comércio marítimo e o turismo. Infere-se, então, que o consumo intensificado tem consequências ambientais tal qual sociais. Outrossim, a produção desenfreada colabora para a poluição atmosférica, o que afeta a saúde, o padrão de chuvas e o rendimento de culturas, pois, consoante a Zygmunt Bauman, nossas ações individuais têm impacto em todos.

Dado o exposto, portanto, cabe ao Ministério do Meio Ambiente assegurar a implementação da legislação ambiental, por meio do fortalecimento de institutos de preservação e da garantia de punições rígidas para o seu descumprimento. Finalmente, em parceria com ONGs, devem ser oferecidos cursos em escolas, abertos a toda a comunidade, para que a necessidade de hábitos conscientes de consumo sejam adotados, e enfim, todos protejam a natureza tal qual Curupira em seu conto folclórico.