Os desafios da relação entre o homem e o meio ambiente

Enviada em 21/12/2020

De acordo com o livro Desafios da Nação, lançado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ao longo de toda a história brasileira, diversos entraves foram encontrados na tentativa de desenvolvimento da nação. Infelizmente, dentre eles, destaca-se, devido à sua recorrência na conjuntura atual, a conflituosa relação entre o homem e o meio ambiente. Nesse contexto, a partir de uma análise desse impasse, percebe-se que ele está vinculado não só ao consumismo, mas também ao individualismo.

Em primeiro plano, o consumismo é o principal responsável por esse imbróglio. De acordo com o filósofo sul-coreano Byung Chul-Han, a sociedade vigente é movida pelo desempenho laboral e pela autoexploração. Desse modo, o consumo apresenta-se como forma de aliviar as inquietações resultantes desse quadro e alternativa para uma felicidade imediata. Então, na medida em que o estímulo à compra se torna onipotente e magnificado, existirá uma demanda dos meios industriais influenciadas pelo consumismo, funcionando como fator adicional à exploração do meio ambiente e recursos naturais. Por consequência, segundo dados divulgados da ONG Imazon , o desmatamento em 2020 subiu, comparado com o ano anterior, em 74% e a degradação, 1.382% na Amazônia.

Outrossim, o individualismo perpetua essa mazela. De acordo com sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, o brasileiro é, desde a colonização, marcado por um individualismo exacerbado. Nesse sentido, a sociedade atual é marcada pela fragilidade das relações sociais tendo em vista que a falta de empatia e de alteridade são as principais características da contemporaneidade. Dessa forma, a exploração irresponsável e desenfreada da natureza é explicada pela fluidez dos valores, pois o homem explora a natureza além da capacidade de reposição natural, a fim de atender aos interesses pessoais e, consequentemente, acaba por perpetuar a insustentabilidade, por causa da redução do olhar sobre a atual crise ambiental.

Portanto, é necessário que ONG’s especializadas no assunto, em parceria com o governo federal, promova, por meio de verbas governamentais, palestras sobre o tema, que devem ser disponibilizadas nas redes sociais e divulgadas nos grandes meios de comunicação, com o objetivo de abordar o impacto do consumismo à consolidação da exploração da natureza e sugerir métodos alternativos de consumo, a fim de que não intensifiquem a degradação ambiental. Ademais, o Ministério da Justiça, deve aplicar sansões penais mais severas juntamente com aumento da fiscalização para que empresas façam um uso mais sustentável da natureza, como reutilização e reciclagem de seus produtos. Logo, a aplicação dessas medidas será capaz de superar os desafios da nação inerentes à conturbada relação.