Os desafios da relação entre o homem e o meio ambiente

Enviada em 02/11/2020

Na obra “A República”, de Platão, o filósofo idealiza a primeira concepção de sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, fora da ficção, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o escritor prega, uma vez que a relação entre o homem e o meio ambiente apresentam barreiras, as quais dificultam a concretização dos objetivos do autor. Diante disso, deve-se analisar como o consumismo e o individualismo provocam tal problemática no país.

Em primeira análise, o consumismo é um dos principais causadores do conflito. Nesse sentido, o conceito de “sociedade de consumo” se torna bastante útil, pois é um termo utilizado para designar o tipo de sociedade que se encontra em uma avançada etapa de desenvolvimento industrial capitalista, e que se caracteriza pelo consumo massivo de bens e serviços, graças a elevada produção. Dessa forma, Platão contribui para discussão ao definir que o amor (Eros) era o desejo por aquilo que não se tem. Nesse sentido, percebe-se uma analogia entre o amor platônico e o consumo, gerando, então o consumismo, que tanto prejudica o meio ambiente, dificultando a relação do homem com o meio ambiente.

Ademais, o individualismo contribui para perpetuação do problema. De acordo com o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, o brasileiro é, desde a colonização, marcado por um individualismo exacerbado que leva o ser humano a explorar a natureza mais do que ela é capaz de repor, a fim de atender aos interesses pessoais. Desse modo, o sujeito, ao estar imerso nesse panorama líquido, acaba por perpetuar a insustentabilidade, por causa da redução do olhar sobre a atual situação do meio ambiente. Um exemplo disso, são os dados divulgados pela ONU Meio Ambiente, mostram que a degradação ambiental teve um aumento de 74% no ultimo ano, causando destruição generalizada dos ecossistemas.

Portanto, urge a resolução desse impasse. Primeiramente, é preciso que o Ministério do Meio Ambiente em parceria com a iniciativa privada, desenvolvam projetos, a fim de utilizar os recursos naturais de forma consciente, por meio de isenções fiscais as empresas, para que mesclem o progresso financeiro com a preservação ambiental. Ademais, esse ministério, em parceria com a Mídia, deve instruir a população, por meio de debates e ficções engajadas, a ser menos consumista e potencializar a capacidade de reutilizar e reciclar produtos, poupando assim, os recursos naturais. Desse modo, em médio e longo prazo, a sustentabilidade e a coletividade alcançarão a essência da República de Platão.