Os desafios da relação entre o homem e o meio ambiente

Enviada em 07/12/2020

Segundo o historiador Sérgio Buarque de Holanda, o homem tende a colocar suas emoções e interesses privados acima da razão. Nessa perspectiva, a gananciosa raça humana busca meios que maximizem seu favorecimento, de modo que valores primordiais, como o equilíbrio do ambiente em que vive, sejam desprezados. Dessa forma, como consequência da ambição e negligência, os impasses da relação entre homem e meio ambiente refletem tanto a sede por lucro, proveniente do egoísta capitalismo contemporâneo, quanto a ineficiência das medidas governamentais em frear a destruição da biosfera. O despreparo da comunidade perante a preservação da vida, portanto, urge por um cenário com menos cobiça e mais atitudes positivas.

Em uma perspectiva centrada na questão comercial, a busca incessante por capital fere, intrinsecamente, a estabilidade dos biomas, já que a floresta é vista como barreira ao desenvolvimento.  Nesse âmbito lucrativo, o relatório ‘‘Carne ao Molho Madeira’’, do grupo ativista Greenpeace, afirma que 60% da área desmatada na Amazônia, em 2019, foi destinada às atividades agropecuárias — um retrato de que a devastação da natureza é transformada, irracionalmente, em cifrões. Isto Posto, a atuação da indústria agrícola assassina a fauna e flora, em vista da gradativa destruição das florestas, fruto integral da ambiciosa vaidade das elites. Dessa maneira, a consciência ante a preservação da ‘‘mãe natureza’’ é suprimida pelo lucro.

Para além dessa contestação, a preocupação das organizações mundiais em promover a sustentabilidade esbarra na negligência dos Estados, dado que nem sempre as lideranças priorizam a pauta ambiental. Frente à tentativa de remediação, a Agenda 2030, proposta pela assembleia da Organização das Nações Unidas (ONU), sugere metas desenvolvimentistas aos países, como melhorias na realidade ecológica, movimento necessário para que a natureza tenha plenas condições de vida. Em contrapartida, nota-se que o governo adota poucas medidas que visem restringir a devastação ambiental, haja vista que, de acordo com a própria ONU, o Brasil é o país que mais desmata no mundo. Assim, o desleixo estatal inibe tentativas de preservação dos ecossistemas.

Diante do exposto, a sociedade clama por ações que mantenham a integridade das matas. Para tanto, o Ministério do Meio Ambiente, de gestão do ministro Ricardo Salles, deve fornecer mais verbas ao monitoramento de focos ilegais de desmatamento e, ainda, exigir punições mais severas aos envolvidos. Como resultado direto, uma grande extensão de áreas florestais será salva da ação crescente da busca por cifrões. Em análise, a realidade ambiental brasileira pede que a razão e a empatia sejam postas acima das emoções e dos interesses privados do homem.