Os desafios da relação entre o homem e o meio ambiente

Enviada em 17/12/2020

O fundador da Greepeace, Paul Watson, afirma que inteligência é a habilidade das espécies de viver em harmonia com a natureza. Sob essa ótica é inegável a crucialidade do homem ter uma boa relação com o meio ambiente. Todavia, no Brasil, essa relação manifesta conflitos e desafios atrelados à negligência governamental e  a escassa abordagem do assunto.

Primeiramente, vale destacar que a displicência estatal contribui com o cenário de desarmonia. Embora a Constituição Cidadã preleciona como dever do Poder Público preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais, na prática tal pressuposto não é devidamente efetivado, haja vista o estudo divulgado no portal “BBC News”, o qual aponta que 68% das áreas de proteção e indígenas da Amazônia estão ameaçadas. Tais dados corroboram o descaso dos governantes, visto que faltam políticas públicas eficazes, que ampliem o controle de desmatamento e queimada, de modo que assegure à todos um ambiente ecologicamente equilibrado e protegido. Dessa forma, é indubitável que essa má atuação do Estado viola uma norma constitucional e colabora na persistência dos crimes ambientais.

Ademais, a falta de exposição das consequências da exploração dos recursos naturais apresenta íntima relação com esse panorama. Nesse contexto, o sociólogo alemão Jurgen Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. No entanto, embora exista programas de conscientização como “A Semana do Meio Ambiente”, a questão da preservação do meio ambiente ainda é pouco discutida nas mídias nas demais semanas e meses do ano, o que favorece as práticas inconscientes de degradação. Dessa maneira, é fulcral trazer à pauta esse tema e debatê-lo.

Depreende-se, portanto, que é responsabilidade do governo federal criar medidas de intervenção na atenuação desse quadro. Logo, cabe ao Ministério do Meio Ambiente, por meio da Secretaria de Comunicação, criar projetos de publicidade para serem veiculados nas mídias de grande acesso. Isso pode ser feito com transmissões ao vivo e palestras com ambientalistas, em diversos horários e com ampla divulgação, a fim de alcançar toda população, desde os mais jovens, inclusive crianças. Além disso, é preciso reforçar a fiscalização dos crimes contra a fauna e a flora, punir os criminosos com detenção e multa severa. Sendo assim, encontraria-se uma forma de agir por intermédio do diálogo, conforme propõe Habermas, e da  consciencialização de que é preciso viver em sintonia com a natureza.