Os desafios da relação entre o homem e o meio ambiente
Enviada em 14/01/2021
No livro “Ideias para adiar o fim do mundo”, o filósofo indígena Aílton Krenak critica a atual desconexão entre a humanidade e a natureza. Uma das mais proeminentes faces desse afastamento é o conflituoso vínculo entre homem e meio ambiente na contemporaneidade, de modo a ocasionar uma intensa poluição ambiental, cujo controle enfrenta uma série de desafios. Nesse sentido, o descarte inadequado de lixo e a geração excessiva de resíduos são problemas que devem ser urgentemente combatidos por meio de ação estatal corretiva.
Sob tal perspectiva, vale ressaltar que os lixões, principais destinos dos restos brasileiros, são espaços responsáveis por processos ecológicos extremamente nocivos, como a produção de chorume, líquido originado da decomposição de detritos orgânicos. A substância, quando gerada em contato direto com o solo, caso dos lixões, infiltra-se na terra e contamina os lençóis freáticos com altos níveis de metais pesados, como mercúrio e chumbo. Desse modo, o chorume compromete não apenas os suprimentos hídricos da população mas também o habitat de inúmeras espécies aquáticas, problemática que evidencia claramente o descompasso entre a produção humana e a fauna e a flora nativas. É imperativa, pois, a reforma do sistema de descarte de lixo no país, de modo a fortalecer o equilíbrio homem-natureza, extensamente discutido por Krenak.
Ademais, é certo perceber que impera, na lógica de consumo contemporânea, a “obsolescência programada”: método que inutiliza um produto tecnológico propositalmente após certo período de tempo, com o intuito de induzir a compra constante de novas mercadorias. A prática é proibida em diversos países, como na França; entretanto, no Brasil, ela não é criminalizada, o que acarreta um preocupante volume de lixo gerado e descartado na natureza, em decorrência da curta vida útil dos produtos. Nesse cenário, a contaminação do solo por resíduos tóxicos provenientes, por exemplo, de baterias e de eletrônicos é uma alarmante modalidade da poluição ambiental. Logo, fica clara a importância da criminalização da obsolescência programada, para que a produção incessante de mercadorias descartáveis seja mitigada, de modo que o impacto da ação antrópica sobre a natureza seja menos predatório.
Depreende-se, assim, a necessidade de se investir em uma relação mais harmoniosa entre homem e meio ambiente. Para tanto, é dever do Ministério do Meio Ambiente implementar o “Programa Nacional de Proteção da Natureza”. Esse programa deverá garantir a criação de mais aterros sanitários e locais apropriados para o descarte de lixo. Desse modo, será possível frear a poluição ambiental e reconectar, enfim, o homem e a natureza, como tão bem defende Krenak.