Os desafios da relação entre o homem e o meio ambiente
Enviada em 26/07/2021
A Constituição federal de 1988 prevê, em seu artigo 225, o direito ao meio ambiente perfeitamente equilibrado como inerente a todo cidadão brasileiro. Entretanto, hodiernamente, o Brasil tem enfrentado os problemas provocados pelos desafios da relação entre o homem e o meio ambiente. Sob essa ótica, ao invés de aproximar a realidade proposta pela Carta Magna da vivenciada pelos brasileiros, a utilização do meio ambiente como principal fonte de matéria prima para a indústria capitalista e a banalização das ações de destruição ambiental corroboram para a persistência da problemática.
Convém ressaltar, a princípio, a utilização do meio ambiente como principal fonte de matéria prima para a indústria capitalista como um dos entraves para a construção de uma solução. Conforme o filósofo contratualista Thomas Hobbes, o homem é o lobo do próprio homem, ou seja, o ser humano é capaz de colocar a sua própria espécie em risco para conquistar os seus objetivos. Nesse sentido, pode-se afirmar que a ganância do indivíduo em obter lucros a partir da natureza leva o ser humano a cometer uma série de atentados que, incialmente parecem afetar apenas o ecossistema, mas que atingirá em maior ou menor grau a vida de todos os seres vivos do planeta. Sendo assim, a relação entre homem e meio ambiente permanece problemática.
Outro ponto relevante, nessa temática, é a banalização das ações de destruição ambiental. Segundo a filósofa alemã Hannah Arendt a banalização do mal é a ausência de pensamentos questionadores sobre atitudes nocivas. Nessa ótica, é possível afirmar que há uma trivialização das atitudes de destruição do meio ambiente, uma vez que a sociedade trata como normal ações que prejudiquem a natureza, como o desmatamento de 581 quilômetros da Amazônia apenas no ano de 2021 segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Dessa forma, o problema lança raízes ainda mais profundas na sociedade brasileira formando seres humanos incapazes de avaliar por si próprios os efeitos nocivos das suas atitudes no meio ambiente.
Portanto, faz-se necessária uma intervenção no que tange à banalização das ações de destruição ambiental. Assim, o Ministério do Meio Ambiente, em conjunto com ONGs especializadas, deve desenvolver ações que visem corrigir o problema da banalização das ações de destruição ambiental. Tais ações devem ocorrer nas redes sociais por meio da elaboração de vídeos que retratem a realidade do ecossistema atualmente em contraste com a realidade da natureza antes da interferência humana. É possível, também, a criação de uma “hashtag” para dar identidade e visibilidade a ação, a fim de mitigar os problemas provocados pela banalização das ações de destruição do meio ambiente. Dessa maneira, será possível construir um país que se aproxime da realidade proposta pela Constituição federal.