Os desafios da relação entre o homem e o meio ambiente
Enviada em 14/08/2021
De acordo com o artigo 225 da Constituição Federal, é dever do Estado garantir o equilíbrio do meio ambiente necessário à promoção do bem-estar humano. Em contrapartida, a existência de uma sociedade consumista e a falta de representantes políticos que defendam avanços na legislação ambiental brasileira representam alguns dos desafios da relação entre o homem e o meio ambiente. Primeiramente, é preciso destacar as distorções que permeiam essa discussão.
Na década de 80, o relatório “Brundtland”, também chamado de “Nosso Futuro Comum”, definiu as bases do que hoje é conhecido como desenvolvimento sustentável. Segundo esse documento, a necessidade de utilização dos recursos naturais pela sociedade não deve se sobrepor ao direito das gerações futuras de terem acesso a eles. Entretanto, mais de 30 anos depois, o Brasil segue explorando indiscriminadamente a natureza ao promover o aumento das queimadas e a expansão das fronteiras agrícolas. Isso pode ser verificado ao se observar que o país é líder na exportação das “Commodities” – minérios e produtos agrícolas vendidos em larga escala e que, em sua maioria, são responsáveis por grande devastação ambiental. Privilegia-se, assim, no país, o lucro em detrimento da sustentabilidade, desconsiderando-se completamente as ações recomendadas pelo relatório supracitado.
Em segundo lugar, a “Sociedade de Consumo” deve ser apontada como uma das originárias desse fenômeno. De acordo com o sociólogo francês Jean Baudrillard, o mundo atual é marcado pela hipervalorização do consumo, sendo a posse de produtos determinantes das relações sociais. Nesse contexto, essa compulsão pelo comprar descrita por Baudrillard exige a movimentação das cadeias produtivas industriais que, por sua vez, intensificam a exploração de matérias-primas no meio ambiente, o que impede o país de avançar nas pautas do desenvolvimento sustentável. Além disso, no âmbito, político, é essencial citar a atuação da bancada ruralista no Congresso Nacional. Formada por parlamentares ligados ao agronegócio brasileiro, ela tem sido responsável por um grande retrocesso na legislação ambiental do país. Isso é exemplificado pela aprovação, em 2012, do Novo Código Florestal, que flexibilizou os limites para o desmatamento em áreas de nascentes e margens de rios. Com essa mudança, os cursos da água devem ter sua vazão diminuída e os impactos devem ser sentidos tanto pela fauna local quanto pelas cidades que dependem desses mananciais para o abastecimento de suas populações.
Dessa forma, é imperativo que medidas sejam tomadas para que o equilíbrio com o meio ambiente, como prevê a Constituição e o relatório “Brundtland”, esteja presente em nosso futuro comum. Nesse sentido, para que o consumismo seja minimizado, é preciso que, por meio da parceria com instituições que defendam o desenvolvimento sustentável, o Governo Federal elabore campanhas publicitárias que conscientizem a população sobre a necessidade de se diminuir o consumo através de práticas como a reutilização, por exemplo. Ademais, com o objetivo de avançar na elaboração de políticas públicas protetoras da natureza, é preciso que ONGs como o “Greenpeace” atuem na viabilização de uma bancada ambientalista no Congresso Nacional, por meio do financiamento das campanhas de candidatos engajados com a causa ambiental. Essas campanhas devem ser veiculadas nas redes sociais, buscando o engajamento político do eleitor jovem adulto e conscientizando esse público sobre a necessidade de se eleger representantes comprometidos em defender a rica biosfera brasileira.