Os desafios da relação entre o homem e o meio ambiente
Enviada em 18/10/2021
Em “Ensaio sobre a Cegueira”, o escritor português José Saramago desenvolve uma narrativa trágica centrada na crítica ao estado de irreflexão da sociedade pós-moderna, por intermédio de uma epifânica cegueira que acomete os indivíduos do meio social. Ao considerar tal sintoma para fundamentar a discussão sobre os desafios da relação entre o homem e o meio ambiente, vê-se que o corpo social hodierno desenvolveu uma cegueira moral ao não refletir sobre a necessidade da convivência harmoniosa com a natureza. Nesse sentido, cabe analisar de que forma a mentalidade social é um entrave bem como esclarecer o desenvolvimento econômico atrelado a sustentabilidade.
A priori, é preciso reconhecer que a mentalidade da sociedade contemporânea nem sempre está voltada para as questões ambientais. Nessa perspectiva, atesta-se a percepção de Saramago, na medida em que os brasileiros tornaram-se cegos ao não refletir sobre os impactos humanos sobre o meio ambiente, como a emissão de gases poluentes, extinção de espécies e desequilíbrios climáticos. Há, evidentemente, a partir disso, a falta de uma educação ambiental consolidada, que alerte para as consequências da interferência humana na natureza, como o comprometimento de recursos para as próximas gerações. Dessa forma, os indivíduos seguem com atitudes que prejudicam o meio ambiente, tanto nas grandes indústrias quanto no dia a dia da população em geral.
Outrossim, é válido ressaltar que, para o sucesso de uma nação, é necessário que a política de econômica esteja atrelada ao desenvolvimento sustentável, visando o não esgotamento de recursos e a manutenção da vida. Sob essa ótica, ganha voz a percepção do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, na obra “O mal estar da pós-modernidade”, ao discorrer sobre as chamadas “instituições zumbis”, organismos sociais que, embora importantes, perderam, com o tempo, a forma. À luz dessa ideia, é notório que o Estado tornou-se uma instituição zumbi, visto que não investiu de forma eficaz em ciência e tecnologia para minimizar os impactos humanos no ambiente, de modo a conciliar a economia e a harmonia ambiental. Logo, vê-se a necessidade de incentivos em ciência e tecnologia no Brasil.
Assim, diante dos argumentos supracitados, é preciso concentrar esforços em solucionar esse impasse. Inicialmente, cabe ao Ministério da Educação, órgão responsável pela formação dos cidadãos, a tarefa de inserir a educação ambiental no cotidiano dos alunos, por meio de seminários, palestras e debates, com vistas a conscientizar acerca da questão ambiental. De modo complementar, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações deve investir em pesquisas, a partir de iniciativa privada, com vistas a criar dispositivos e mecanismos para minimizar o impacto humano na natureza. Espera-se que, com ações desse tipo, finde-se a cegueira da razão no Brasil.