Os desafios da relação entre o homem e o meio ambiente
Enviada em 26/10/2021
“O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Nessa concepção, a afirmação atribuída à filósofa francesa Simone de Beauvoir é claramente aplicável aos desafios envolvendo a intervenção no meio ambiente, ao considerar que mais danosa que sua ocorrência é a indiferença da sociedade perante a questão. Dessa forma, toneladas de rejeitos fabris e de residências domésticas são despejadas no meio ambiente com pouco - ou nenhum - tratamento, o que revela a ação predatória do homem na natureza. Com efeito, há de se deliberar sobre como a frágil responsabilidade social e a ganância humana tem influência na situação.
É válido pontuar, de início, que a modesta responsabilidade com que a humanidade tem tratado a natureza é uma das principais causas para a poluição em larga escala. A esse respeito, o filósofo alemão Hans Jonas, na obra “O princípio da responsabilidade”, disserta que não se pode sacrificar o futuro pelo presente: se a humanidade se preocupar apenas com o presente o futuro pode deixar de existir. Nessa visão, essa despreocupação revela quão grave, insustentável e generalizado essa situação pode ficar, os sinais já são notórios - chuva ácida, aumento do efeito estufa, diminuição das calotas polares -, o que configura um grave problema de ordem ambiental. Diante disso, é inconcebível que esse cenário se perpetue, sob a penalidade de inviabilizar a vida no planeta.
Ademais, em segundo plano, a rentabilidade financeira figura como outro desafio. Acerca disso, o cientista Stephen Hawking declarou que a poluição, a ganância e a estupidez são as maiores ameaças para o planeta. Nesse sentido, não há dúvidas que o uso dos recursos naturais são rentáveis e podem proporcionar aos seus detentores melhores condições financeiras, no entanto, esse benefício privado pode - em não muito tempo - comprometer a qualidade de vida da humanidade, o que precisa ser repensado como uma prioridade, tanto pela sociedade civil quanto pelas empresas. Lê-se, pois, como grave, diante das danosas consequências para os recursos naturais: a ganância.
É mister, portanto, que o meio ambiente seja tratado com responsabilidade. Para tanto, a escola - instituição responsável pela formação cidadã - deve, por meio de workshops e palestras, veicular conteúdos capazes de demonstrar a importância da preservação do meio ambiente, de modo que a presente e a futura geração seja beneficiada pela manutenção dessa tão importante porção da terra. Essa medida poderá ser chamada de “Preserve a natureza”, e deverá ser ministrado para alunos desde o ensino fundamental, para desenvolver desde os primeiros anos a consciência ambiental. Feito isso, muito em breve, a predação da natureza deixará de ser, conforme delata Beauvoir, um escândalo.