Os desafios da relação entre o homem e o meio ambiente

Enviada em 08/11/2021

À luz dos versos baseados no desastre ambiental causado pela empresa Vale e cantado pelo grupo Falamansa: “O sertão vai virar mar/ é o mar virando lama/ gosto amargo do Rio Doce de regência Mariana”, é viável compreender como a relação do homem com o meio ambiente está fragilizada. No prisma do desenvolvimento, os recursos naturais tornaram-se dispositivos do capital, seja pela regulamentação governamental ineficiente ou pelas práticas não sustentáveis de alguns setores produtivos. Assim, a mediação do progresso social, em conjunto com a proteção dos bens naturais, apresenta- se como um desafio contemporâneo.

Sob a perspectiva da má gestão, é possível perceber como, em locais onde não houver limites legais, a degradação ocorrerá intensamente. Paralelamente, cabe exemplificar o PIX- Parque Indígena do Xingu- que, segundo a Geografia, funciona como limite ao desmatamento indiscriminado presente no entorno. Outrossim, territórios com tal função são escassos no Brasil, refletindo na reduzida proteção das florestas, biodiversidade e diversos outros recursos naturais. Dessa forma, a maior parte do solo nacional transformou-se em um produto, sendo preservado somente em locais em que não há uso comercial. Ou seja, o governo não regula eficientemente a coexistência do meio ambiente e dos homens.

Outro ponto importante é a contraposição entre os discursos hegemônicos e a realidade vivida, onde, a partir de dados da ONU, mais de 75% da água utilizada no Brasil não é para consumo residencial. No entanto, são recorrentes campanhas de estímulo à redução do uso doméstico de tal recurso nas mídias de massa, e, consequentemente, a responsabilidade do setor agropecuário e industrial, na problemática, não é colocada em evidência. Logo, a ação conjunta dos atores sociais oculta a prática não sustentável mais significativa do contexto nacional.

Portanto, para solucionar a baixa eficiência estatal, cabe às ONGs, em conjunto com o Poder Legislativo, responsável pela implementação de leis, estabelecer uma proposta legal capaz de limitar a prática de degradação ambiental mesmo fora dos parques de conservação, por meio de uma PEC, a fim de assegurar a coexistência entre os homens meio ambiente. Também, é vital a ação o Ministério do Meio Ambiente na implementação de campanhas educativas e informativas, tendo como suporte as redes sociais -devido à sua capacidade disseminadora de conhecimento-, com o intuito de formar um corpo civil consciente da realidade e com potencial para organizar-se, formando uma resistência à prática oculta. Por fim, pela articulação de diferentes grupos, eventos como o ocorrido em Mariana serão cada vez menos frequentes.