Os desafios da relação entre o homem e o meio ambiente
Enviada em 14/11/2021
Em meados do século XVIII, o Iluminismo - movimento intelectual difundido na Europa Ocidental - consolidou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, instituindo a proteção ao meio ambiente como pilar na harmonia e bem-estar social. Entretanto, quando se observam os impactos ambientais ocasionados pela ação humana, nota-se que o ideário exposto pelos filósofos iluministas não saiu do papel. Com efeito, há de se analisar a negligência estatal e social na manutenção da problemática.
Diante desse cenário, cabe destacar a omissão estatal na persistência do problema. Sobre isso, Zygmunt Bauman - sociólogo polonês do século XX - elaborou o conceito de “Instituição Zumbi”, o qual evidencia que o Estado perdeu sua função social, mas manteve - a qualquer custo - sua forma. Nesse sentido, o Poder Público brasileiro se enquadra na teoria de Bauman, tendo em vista seu papel passivo em estabelecer palestras informacionais acerca da necessidade de preservar o meio ambiente, bem como sobre ações humanas realizadas cotidianamente, mas que ferem veementemente o equilíbrio ambiental, essencial na conservação da harmonia coletiva. Assim, enquanto o problema denunciado por Bauman for regra, a sustentabilidade será utópica no Brasil.
Ademais, é fundamental pontuar a negligência social na manutenção do óbice. Nesse viés, Robert Putnam, cientista político norte-americano, teceu o conceito de “Capital Social”, intimamente relacionado à virtude cívica, expõe que a atuação coletiva é inversamente proporcional ao número de problemáticas, ou seja, quanto maior a ação social, menores os problemas da coletividade. Tal obra relaciona-se aos desafios da relação entre o homem e a natureza, visto que a sociedade negligencia os impactos ambientais causados pela ação humana, o que torna cada vez mais difícil alcançar o ideal de sustentabilidade e progresso social, essenciais na conservação do equilíbrio ambiental. Desse modo, nota-se a falta de ativismo da sociedade representa um dos porquês do problema.
Isto posto, é imperiosa a ação de ONGs (Organizações não governamentais) na resolução do impasse. Para tanto, o Instituto Ethos, aliado ao “Akatu” - associações destinadas à concepção de uma comunidade sem conflitos - deve pressionar o Poder Executivo, por meio de campanhas nas redes sociais, de modo a exigir que as escolas, responsáveis pela educação cidadã, promovam projetos pedagógicos acerca da necessidade de adotar novas formas de utilização dos recursos naturais, bem como sobre medidas cotidianas que visam economizar tais recursos, além de palestras sobre os impactos ambientais e seus prejuízos à coletividade, tendo como finalidade promover a massificação do tema no corpo social e minimizar as influências negativas da ação antrópica ao meio ambiente. Assim, o ideal iluminista deixará de ser ficção e, finalmente, será efetivado.