Os desafios da relação entre o homem e o meio ambiente

Enviada em 17/11/2021

“Acendendo a esperança e apagando a escuridão”. Ao entoar esse verso da canção “Credo”, o cantor Milton Nascimento indica, metaforicamente, uma visão otimista a partir da desconstrução de posturas negativas. Esse discurso esperançoso pode ser visto como elemento norteador nos debates sobre os desafios da relação entre o homem e o meio ambiente, tendo em vista que o otimismo tende a potencializar a resolução desta problemática. Nesse prisma, cabe analisar essa questão no Brasil.

De início, pontua-se que é negligência do Poder Público permitir esses desafios. Isso porque há uma falha no processo de conscientização, onde parte da população, por não ter educação ambiental, não percebe os danos que suas ações podem causar. Como exemplo, vê-se a exploração desenfreada dos recursos naturais na mineração, o que faz com que a vegetação nativa da área de exploração seja removida e o solo contaminado com elementos tóxicos para a retirada do minério, o que além de gerar um impacto na fauna e flora do ambiente, diminui a qualidade de vida dos que moram perto. Dessa forma, percebe-se que o Estado não tem garantido o bem-estar de todos os cidadãos, rompendo, assim, o contrato social teorizado pelo filósofo Jean-Jacques Rousseau.

Ademais, enfatiza-se que falta engajamento coletivo para se alcançar, de fato, uma sociedade livre desses desafios. Como prova disso, tem-se a inércia de parte da população em não lutar por um maior investimento financeiro estatal em tecnologias e soluções que previnam e atenuem os impactos causados no meio, já que muitas vezes são executadas ações na natureza onde os danos ao ecossistema não são levados em consideração. Tomando os estudos do sociólogo Zygmunt Bauman para esclarecer esse cenário, é possível perceber que, devido ao pessimismo que atingiu a sociedade após a Segunda Guerra Mundial, quadros negativos como este passaram a ser aceitos.

Por fim, ressalta-se que os desafios entre o homem e o meio ambiente devem ser superados. Para isso, é necessário exigir do Estado a conscientização do corpo social, priorizando palestras produzidas por especialistas ambientais em espaços públicos, com o objetivo de construir uma educação ambiental de qualidade nos indivíduos e que, dessa forma, os recursos não sejam usados desenfreadamente. Ainda, é fundamental sensibilizar as pessoas, via campanhas midiáticas, produzidas por ONGs, sobre a importância de se adotar uma postura não resignada diante destas dificuldades, o que pode potencializar a mobilização coletiva em prol de um maior investimento financeiro estatal em tecnologias que tenham como objetivo o uso consciente e responsável dos recursos ambientais. Desse modo, assim como na canção de Milton Nascimento a esperança poderia ser “acesa”.