Os desafios da relação entre o homem e o meio ambiente
Enviada em 24/10/2022
Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, diz, em suas “Memórias Póstumas”, que não teve filhos e não transmitiu a nenhum ser vivo o legado da nossa miséria. Talvez hoje ele percebesse acertada sua decisão: a postura de muitos brasileiros frente ao meio ambiente é uma das faces mais perversas de uma sociedade em desenvolvimento. Com isso, surge a problemática da indiferença que persiste, intrinsecamente, ligado à realidade do país, seja pela insuficiência estatal, seja pela ineficiência midiática no tema.
Nessa perspectiva, a ingerência governamental, estudada fortemente por Paulo Freire em seu ensaio “Pedagogia do Oprimido”, é uma ferramenta de opressão que limita a instrução social da comunidade brasileira. Deste modo, identifica-se que, como vivenciado por Brás Cubas em sua jornada, o Poder Estatal formou uma instituição escolar que não é apta para lidar com os problemas causados pelo descuido do homem perante natureza. Logo, é fundamental efetuar profundas modificações na base comum curricular.
Ademais, “Na era da informação, a invisibilidade é equivalente à morte”, essa reflexão de Zigmunt Bauman defronta-se, indubitavelmente, com o autoritarismo examinado por Paulo Freire. Desta maneira, a análise da conjuntura precária, que cerce os desmatamentos e queimadas, é silenciada na mídia por não ser um assunto atrativo e lucrativo, assim, torna-se margeado. Nesse sentido, é inegável como a manipulação midiática alicerça a manutenção do desleixo à natureza, pois conclui-se que a pouca visibilidade direcionada para essa problemática perdura o infortúnio observado pelo patrono da educação brasileira.
Infere-se, portanto, uma agrura no cenário nacional. Por conseguinte, o Poder Executivo deve, por meio da utilização das verbas da União, efetuar um projeto educacional, em escala nacional, o qual teorizará as mais diversificadas parcelas da juventude sobre a importância e fundamentalidade de realizar a preservação e replantio de áreas desmatadas da natureza. Além disso, é crucial modificar as leis que tangenciam os prejuízos ambientais causados pelo homem, assim sendo, estas deverão punir e prevenir eventuais transtornos no meio ambiente canarinho. Logo, será possível a extinção de um legado histórico miserável.