Os desafios da relação entre o homem e o meio ambiente
Enviada em 16/07/2023
Na primeira conferência oficial da Organização das Nações Unidas, ocorrida em Estocolmo, reiterou-se o compromisso global de respeito para com os fatores bióticos e abióticos constituintes da biosfera. Em contrapartida, verifica-se, em solo brasileiro, a discordância com o acordo, dado o avanço da fronteira agrícola sobre o domínio amazônico, o qual evidencia os desafios da relação entre o homem e o meio ambiente. Nesse sentido, destacam-se a insuficiência estatal e a naturalização da postura transgressora por parte da sociedade.
Em primeira análise, pontua-se a incapacidade governamental em praticar preceitos estabelecidos pela Constituição Federal de 1988. Sob essa ótica, o jornalista Gilberto Dimenstein, em sua obra “O Cidadão de Papel”, afirmou que poucos princípios da Carta Magna alcançaram de maneira efetiva sua aplicabilidade prática. Dessa forma, entende-se que determinadas políticas de Estado, a exemplo da diminuição da extensão das matas ciliares, representam uma irresponsável concessão ao agronegócio, além de um dano à integridade ecológica, a qual é resguardada constitucionalmente, portanto, reforça-se que determinados artigos estão restritos à esfera teórica.
Ademais, evidencia-se a gradativa aceitação das transgressões por parte do corpo social. Segundo o filósofo espanhol Adolfo Vázquez, quanto maior a recorrência de um fato, maior a tendência de ser naturalizado pelo coletivo. Consoante a isso, observou-se, sobretudo nos últimos anos, contundentes violações à natureza, as quais não inspiraram alguma reação populacional expressiva e articulada, mas, ao contrário, gerou a naturalização descrita pelo estudioso.
Depreende-se, portanto, a necessidade de políticas que venham minimizar os desafios da relação em pauta. Desse modo, cabe ao Governo Federal promover o reflorestamento e a fiscalização do território, por meio do lançamento do programa “Mais Verde” em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, a fim de estabelecer o equilíbrio entre a intervenção antrópica e uma postura sustentável. Somente assim, o compromisso proposto pela Organização das Nações Unidas será respeitado.