Os desafios da relação entre o homem e o meio ambiente

Enviada em 11/10/2023

A Hipótese de Gaia é a tese que apresenta o planeta Terra como um grande ser vivo que é capaz de se autorregular e que somente poderia estar em desequilíbrio por ações externas. Sob essa ótica, é possível relacionar a ação antrópica ao atual desequilíbrio ecológico do Brasil e do mundo. Com efeito, é fundamental analisar os propulsores desse cenário hostil: a negligência governamental e a inércia social.

Nesse contexto, a omissão estatal perante a inconsequente intervenção humana no meio ambiente proporciona o desequilíbrio do ecossistema. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, “instituições zumbis” é um termo utilizado para simbolizar instituições que não deixaram de existir, mas não cumprem mais o seu papel social. Nessa perspectiva, é possível relacionar esse conceito às instituições que devem preservar a flora local, haja vista que o país sofre com os crescentes perigos ambientais, como secas, queimadas e deslizamento de terras. Logo, a inoperâcia estatal prolonga os desastres naturais que assolam o território nacional.

Ademais, a falta de mobilização social potencializa a problemática. O Mito da Caverna, de platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair da zona de conforto. Analogamente, o consumismo é a zona de conforto de uma sociedade que hipervaloriza os bens materiais, e que incita as pessoas à normalização dos impactos da urbanização desmensurada sobre o meio ambiente. Dessa forma, o corpo social permanece banalizando seus hábitos de consumo, e a perpetuação da reincidência de desastres naturais se torna o preço da ganância humana.

Torna-se evidente, portanto, que a omissão governamental e a inércia social são fatores causais do desequilíbrio ecológico. Nesse sentido, cabe ao Estado, entidade de máximo Poder Executivo, conter os danos ambientais causados por ações antró- picas, por meio de projetos socioambientais e regulamentação, com o fito de manter o ecossistema em equilíbrio. Além disso, convém que a mídia - instrumento de ampla abrangência - paute de forma expositiva os impactos socioambientais causados pela ação humana, por meio de ficções engajadas, a fim de sensibilizar o público sobre a importância de mudar os hábitos para manter o ambiente um lugar estável para vivência. Assim, é possível que Gaia entre novamente em equilíbrio.