Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI

Enviada em 15/06/2018

O filme Cinderela, dirigido por Walt Disney, traz como tema central a história de uma moça submetida, pela madrasta juntamente com as filhas, à condições exaustivas e degradantes de trabalho, análogas à escravidão. Embora seja uma ficção, em relação à servidão o conto retrata satisfatoriamente uma realidade vivida por muitos brasileiros e imigrantes do país, onde o combate à escravização é desafiador, devido a normose social e ao desconhecimento das leis laborais por parte da população.

Nesse contexto, averigua-se que no Brasil inexiste uma educação voltada para o conhecimento da Constituição, especialmente no que tange às normas trabalhistas. O fato de 31,6%, segundo dados do Diário de Pernambuco, da população desconhecer o limite máximo de horas semanais trabalhadas  permitidas no país, por exemplo, comprova a inconsciência de muitos sobre seus direitos. Essa falta de conhecimentos é propícia para reprodução da prática nefasta da escravidão, visto que desavisados de seus direitos os indivíduos se habituam as atrocidades que lhes são impostas.

Em consequência disso, 1010, conforme informações do Ministério do Trabalho e previdência Social, trabalhadores foram encontrados em condições semelhantes à servidão em 2015. Desse total, 65 eram imigrantes e 12 eram menores de dezesseis anos. A região pioneira na escravização, de acordo com a pesquisa, é Minas Gerais, e ao contrário do que se imagina a exploração não envolve somente a agricultura. Ela vai desde o setor têxtil ao sexual mostrando o quão alarmante é a conjuntura atual, que infelizmente, tem passado despercebida por uma parcela normótica significativa da sociedade brasileira. Tal normose implica em uma visão extremamente comum do trabalho subjugado, chegando ao ponto em que esse tipo de situação deixa de gerar indignação.

Logo, para que a normose social seja atenuada, a população conheça os direitos que lhe cabem e o trabalho escravo seja sanado, é imprescindível que o Ministério da Cultura, mediante verbas do Governo Federal, e em conjunto com o Ministério do Trabalho e grandes empresas conscientizem a população sobre o que é considerado servidão por meio de campanhas. Essas campanhas podem ser entregues em forma de cartilhas nos grandes estabelecimentos como forma de protesto a esse modelo de trabalho e veiculadas em mídias sociais, radiofônicas e televisivas. Cabe também ao Ministério da Educação, por intermédio de professores de história, incluir na Base Nacional Comum Curricular  de todas as escolas do território nacional, a partir do fundamental dois uma disciplina intitulada :¨Conhecendo direitos para exercer cidadania¨ . Dessa forma, Cinderela não será mais um retrato da sociedade Brasileira.