Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI
Enviada em 31/05/2018
O escambo,troca de objetos de pouco valor por mão-de-obra,foi a primeira configuração do trabalho escravo no Brasil.Apesar de séculos terem se passados,essa prática perpetua-se na sociedade brasileira ,através do desgaste físico e psicológico que milhares de cidadãos se submetem para sobreviver.
À principio deve-se ressaltar que a maior parte das vítimas do trabalho análogo ao escravo são pessoas que estão longe do seu lugar de origem e não apresentam ensino superior.De modo que por não ter mão de obra especializada e “desorientados” social,cultural e economicamente, eles são induzidos,principalmente pelos grandes produtores,a aceitar salários irrisórios,com cargas horárias extenuantes,em ambientes degradantes,sem usufruir de nenhum dos direitos garantido aos trabalhadores pela Constituição brasileira.Tal fato foi evidenciado no filme Crô,no qual o personagem do ator Marcelo Serrado descobre e fecha ,com ajuda da polícia,uma empresa têxtil que mantinha seus empregados bolivianos em cárcere de privado e ganhando só o necessário para sobreviver.
Outros fatores que mantêm essa problemática é o despreparo governamental e os subempregos.Nesse sentido,convém destacar que apesar da existência de um disque denúncia,essa prática é pouco conhecida na sociedade e,além disso,o contingente policial destinado a investigação destas informações é ínfimo,o que dificulta e retarda a libertação dos escravizados e a punição dos responsáveis.Foi seguindo esse viés que a Procuradora do Trabalho,Débora Tito,em uma de suas palestras,deixou claro a importância de uma maior atuação do Estado e da própria sociedade no combate ao trabalho escravo,que “coisifica” o homem, e relatou também o retrocesso que os subempregos,como a maioria dos caminhoneiros,representam para o país ,já que esta é uma atividade legal,mesmo sendo de evidente exploração.
Entende-se,assim,que a ignorância social e o despreparo governamental são as principais causas para o trabalho escravista do século XXI.Sendo,portanto, essencial que o governo disponibilize cursos de especialização básica para as pessoas que não tem um ensino completo,para que além de uma formação,estas sejam ,também, alertados sobre o trabalho escravo,as formas de denúncias e a existência de direitos básico,independente da localização e função do emprego;ademais,é importante que os Ministérios da Educação,Segurança e Cultura unam-se para promover construção de senso crítico e de um comportamento adequado frente a humilhação,exploração física e inferiorização humana sofrida por estes trabalhadores.