Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI
Enviada em 23/07/2018
Procura-se uma nova data para abolição
A escravidão no Brasil foi legítima até o final do século XIX, a Lei Áurea de 1888 decretou uma abolição considerada tardia. Mesmo proibido, o trabalho escravo ainda persiste, entretanto, não mais pela cultura de aceitação de uma raça inferior. Contudo, fatores como o aprisionamento por dívida, a exploração de imigrantes e jornadas abusivas geram lucro e alimentam as estatísticas de trabalho análogo a escravidão no Brasil.
A princípio, é inquestionável que o fato de existir trabalhadores nessas condições reflita no produto de suas atividades, sejam em mercadorias mais baratas ou em maiores percentuais de lucro para os “patrões”. Desse modo, fica evidente que o combate a escravidão não acontece de forma veemente, já que, o consumo do que é produzido por trabalho escravo contribui para a perpetuação desse tipo de atividade. Com isso, mesmo que de forma indireta, acaba-se por incentivar as jornadas exaustivas e a exploração demasiada do trabalho.
Por certo, dívidas são um dos principais motivos que mantém pessoas atadas aos seus trabalhos, e de acordo com o IBGE 1,5 milhão de trabalhadores se encontram presos ao seu emprego por débito com empregadores. Além disso, não são apenas os trabalhadores brasileiros que estão suscetíveis a essas condições, imigrantes também constituem parte da força de trabalho subjugada. Aliado a isso, o Brasil ainda é deficiente em ações de combate ao trabalho escravo, visto que, qualquer indício de escravidão dentro do território brasileiro é condenado por lei.
Dessa forma, para que a erradicação do trabalho escravo se mostre viável são necessários recursos, portanto, cabe ao estado uma maior atenção às necessidades de órgãos como o próprio MP, que atue na fiscalização e no combate a escravidão. Nesse sentido, a interação da mídia com a sociedade é fundamental, logo que, a população precisa entender que sem o consumo a exploração acaba por definhar. E é papel de todo indivíduo ajudar a tornar realidade o que não foi real desde 1888.