Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI

Enviada em 07/07/2018

A ilusão de um progresso

Em 1888, a escravidão foi abolida no Brasil por meio da Lei Áurea, contudo, nunca extinguiu-se. Expressando-se atualmente como servidão por dívida ou ameaça, aprisionam geograficamente um indivíduo e fazem com que trabalhe em condições desumanas. As causas para perpetuação desse fenômeno são diversas, dentre elas a falta de um conhecimento da população acerca das formas de escravidão atual e a consequente falta de denúncias, somando-se ainda a uma fiscalização ainda insuficiente, devido à deficiência de policiais destinados a esse combate.

É notório que o conceito de “escravidão” permanece o mesmo de cem anos atrás, dificultando a identificação da atual escravidão pela população. Visto que não é um assunto difundido pela mídia, essa prática continua silenciosamente, o que favorece os grandes burgueses e latifundiários, pois os cidadãos que seriam grandes aliados no combate a esse crime, não reconhecem quando o vê, enxergando apenas como um trabalho qualquer. Como dizia o filósofo Epicteto, “só a educação liberta”, nesse sentido, se torna fundamental elucidar a população com o fim de libertar os cativos.

Outrossim, vê-se que a fiscalização  é insuficiente, uma vez que pela escassez de policiais, não é feita com a frequência necessária. Isso mostra que o Governo não tem dado a prioridade devida ao problema, facilitando sua perpetuação  por interesses econômicos, porquanto é uma atividade extremamente lucrativa, gerando em torno de 150 bilhões por ano segundo a Organização Internacional do Trabalho, e agindo conforme a filosofia de Maquiavel: “os fins justificam os meios.”

Urge, portanto, a necessidade de esclarecer a população sobre o problema e de priorizar o combate à escravidão. É imprescindível  que o Ministério da Justiça, em parceria com agentes midiáticos, faça campanhas de grande alcance, esclarecendo os cidadãos acerca de como a escravidão se manifesta e da necessidade da denúncia, para que possam se tornar agentes de combate a tais práticas, e que o Governo Federal envie mais verbas para contratação de policiais federais, para que um dia a Lei Áurea possa fazer-se valer verdadeiramente no Brasil.