Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI
Enviada em 24/07/2018
No filme ‘‘Tempos Modernos’’, Charles Chaplin retrata as condições de trabalho dos empregados na Revolução Industrial: jornadas exaustivas, alienação trabalhistas e má remuneração. Nesse contexto, percebe-se que essa realidade ainda faz parte da contemporaneidade, no qual muitos trabalhadores ainda estão sujeitos à essas condições, devido à negligência governamental e à exigência do mercado de trabalho pós Revolução Técnico-científico-informacional.
Convém ressaltar, a princípio, que no século XXI, o modelo de produção industrial predominante é o Toyotismo, em que a exigência do mercado de trabalho é a mão de obra qualificada, excluindo àqueles que não atendem a esses quesitos. Na era pós-fordismo, as empresas passaram a exigir dos empregados grande qualificação profissional, uma vez que, na 3º Revolução Industrial, o foco não é produzir em quantidade, mas em qualidade. Consequentemente, como a maior parte da população não possui essa qualificação, visto que, o ensino público não oferece condição para tal, a maior parte da população não encontra lugar no mercado de trabalho, dessa forma, concebe-se uma sociedade com alto número de desemprego, abrindo portas para a exploração do trabalhador.
Junto a isso, o Poder Executivo não efetiva os direitos assegurados pela Constituição Federal de 1988, devido à falta de profissionais suficientes para fiscalizar todo o território nacional. Segundo o filósofo Aristóteles, a Política serve para garantir a integridade dos cidadãos. Nesse sentido, percebe-se que esse pensamento não faz parte da realidade do brasileiro, dado que, só em 2015, de acordo com o Ministério do Trabalho, 1010 trabalhadores foram encontrados em condições análogas às de escravo. Por conseguinte, caminha-se para uma sociedade em que a situação dos empregados recorda à triste realidade dos negros vivida no Brasil Colonial.
Torna-se evidente, portanto, que é fundamental que medidas sejam tomadas para resolver essa problemática. Dessa forma, cabe ao Ministério do Trabalho e Emprego, em parceria com grandes empresas, fornecer curso técnicos gratuitos em regiões carentes a fim de qualificar a mão de obra e garantir oportunidades a essa população. Ademais, a mídia, deve criar palestras e debates, com o intuito de ensinar o trabalhador a identificar e denunciar o trabalho escravo para ajudar no combate à essa problemática. Desse modo, será possível ter uma sociedade igualitária, justa e distante do filme interpretado por Charles Chaplin.