Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI

Enviada em 26/07/2018

Os primeiros povos escravizados em terras brasileiras foram os indígenas, com a chegada portuguesa em 1500. Posteriormente, os africanos tornaram-se as vítimas desse sistema e, mesmo com a assinatura da Lei Áurea em 1888 e mais adiante com a criminalização do trabalho escravo pelo Código Penal Brasileiro, essa herança escravocrata persiste até hoje, devido à rentabilidade desse processo e à negligência da população em averiguar a procedência do que consome.

Nesse sentido, o conceito de mais-valia proposto por Marx é fundamental para o entendimento de que, quanto mais explora-se o trabalhador, mais lucro a empresa terá. Logo, um indivíduo em situação análoga à escravidão torna-se barato para o patrão, pois cumpre longas jornadas de trabalho recebendo em troca apenas alimentação e abrigo, ou apenas um salário ínfimo, o que acaba mantendo o sujeito atrelado à essa forma de trabalho.

Entretanto, muitos problemas dificultam a resolução desse impasse. A população, em seu ímpeto de pagar menos pelas mercadorias, não investiga a procedência do que compra, de modo que empresas exploradoras continuem vendendo seus produtos com facilidade. Em contraponto, começam a surgir algumas ações, como o caso da “Fashion Revolution”, movimento atuante na questão têxtil, que com o lema “Quem fez minhas roupas?” levanta um debate sobre a mão-de-obra utilizada.

Portanto, medidas são necessárias para solucionar o problema. O Ministério do Trabalho deve disponibilizar recursos financeiros e humanos para apoiar iniciativas em prol do trabalho legal, como exemplo a “Fashion Revolution”, a fim de que impactem mais pessoas por meio de palestras feitas em todo o país, gerando reflexões sobre a necessidade de não consumir produtos oriundos de trabalho escravo ou análogo à escravidão. Uma vez que, tendo seu mercado consumidor diminuído, as empresas que usam esse tipo de mão-de-obra precisarão repensar seu método de produção para que continuem vendendo, pois como Marx afirmou, o que interessa a elas é o lucro.