Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI
Enviada em 09/08/2018
Segundo o sociólogo alemão Max Weber, as bases do capitalismo moderno surgiram com a ascensão do Calvinismo e sua relação com o trabalho e a dignificação humana. Dessa forma, as relações laborais do ocidente são resultado direto das políticas capitalistas que influenciam a persistência do trabalho escravo na contemporaneidade. Nesse sentido, destaca-se o poder de atuação do Estado frente a tal questão.
Com efeito, realizando-se uma análise geopolítica dos países neoliberais, percebe-se que a mínima intervenção estatal e a diminuição de políticas de austeridade provocam o decréscimo do rigor das leis trabalhistas nesses espaços. Analogamente, no Brasil, o trabalhador escravizado é vítima desse sistema, migrando das regiões mais insalubres do país para a porção centro-sul do território na busca por melhores condições de subsistência e mobilidade social.
Desse modo, essas pessoas são direcionadas à realização de trabalhos manufaturados e repetitivos, sendo submetidas aos interesses dos grandes empresários, sobretudo, do setor agropecuário. Portanto, tais trabalhadores sofrem com a ausência de direitos sindicais e trabalhistas, estando numa situação marginalizada legalmente. Assim, urge a necessidade do estabelecimento de práticas direcionadas, que visem a minimização e posterior aniquilação dessa problemática.
Diante desse panorama, é necessário que o Governo Federal invistas na fiscalização laboral do setor primário, através da criação de uma ferramenta virtual de denúncia, por meio de redes sociais ligadas ao Estado, de modo que a informação delatada venha ao conhecimento público instantaneamente. Tal aplicabilidade ocorreria com o auxílio do repasse de verbas remanescentes do Ministério do Trabalho para o setor de Tecnologia e Desenvolvimento. Nesse aspecto, tal medida teria a finalidade de gerar um envolvimento social na melhoria da qualidade de vida desses trabalhadores, assegurando seus direitos de cidadania e contribuindo para o bom comum da sociedade brasileira.