Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI
Enviada em 26/08/2018
Em 1888, a Lei Áurea aboliu a escravatura no Brasil Império, entretanto, cem anos depois numerosas pessoas encontram-se na intitulada ‘’escravidão moderna’’. A exploração já não é racial, ela é multiétnica, as pessoas não estão mais presas a correntes, contudo, ainda encontram-se em situações desumanas e semelhantes as vividas pela população afrodescendente no período colonial e imperial. Analogamente, os escravizados continuam atrelados aos seus ‘‘senhores’’ e vulneráveis a eles, sem acesso à educação, cultura e direitos básicos; fatores esses que anseiam por solução.
Ilustrando as dificuldades enfrentadas por pessoas que vivem em extrema pobreza, o personagem Fabiano de Graciliano Ramos na obra ‘‘Vidas Secas’’ é um trabalhador rural que após ser roubado pelo patrão, devido a escassez de trabalho, vai com sua família para diferentes locais do país em busca de emprego e comida. Fora dos livros, essa é a realidade de uma parcela da população brasileira, que em busca de melhores condições de vida são atraídos por falsas promessas de trabalho e são levados para locais distantes, onde lhes são atribuídos dívidas intermináveis que devem ser pagas através de trabalhos em condições degradantes e jornadas exaustivas que colocam em risco a vida do trabalhador.
Outrossim, segundo os dados divulgados pela “Walk Free” ONG que luta pelos direitos trabalhistas, mais de 160 mil pessoas estão sob a condição de escravidão contemporânea no Brasil, a maioria são homens e analfabetos. É inegável, que a escravidão é um problema social, a hierarquia desigual entre as classes altas e baixas em nossa sociedade e seu distanciamento, são explicadas através das relações de trabalho, visto que a classe baixa ocupa os piores cargos, devido a alta taxa de analfabetismo no país, falta de qualificação profissional, incompreensão dos direitos trabalhistas e ao atual sistema capitalista. Ao passo que, dada a nossa história, onde a escravidão era a base da economia do país, muitos empresários e fazendeiros buscam retomar essa época ao se aproveitarem da vulnerabilidade alheia, quando os seus interesses econômicos se sobrepõem aos direitos humanos, perpetuando o ciclo da pobreza e impedindo a almejada ascensão social das pessoas escravizadas.
Somando-se aos aspectos supracitados, é vital a tomada de medidas para resolver esse problema. Inicialmente, o Ministério da Educação em parceria com o IBGE deverá mapear os locais no país onde o nível de analfabetismo é alto e implantar nesses locais novas escolas, que além da educação básica também forneça cursos técnicos, a fim de aumentar a instrução educacional da população, que estará mais apta a adentrar o mercado de trabalho e ter melhor qualidade de vida. Ademais, o Ministério do Trabalho em parceria com a mídia deverá divulgar propagandas que evidenciem a escravidão atual, para que aumentem os casos de denúncias, que serão fiscalizadas e punidas. Só assim, as correntes da escravidão serão efetivamente quebradas no país.