Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI
Enviada em 15/08/2018
Segundo o pensamento de Claude Lévi-Strauss, a interpretação adequada do coletivo ocorre por meio do entendimento das forças que estruturam a sociedade, como os eventos históricos e as relações sociais. Esse panorama auxilia na análise da questão dos desafios contra a permanência do trabalho escravo no Brasil, visto que a comunidade, historicamente, marginaliza as minorias, o que promove a falta de apoio da população e do Estado para com indivíduos, dificultando a sua participação plena no corpo social –o que evidencia uma crise social.
Em primeiro plano, evidencia-se que a coletividade brasileira é estruturada por um modelo excludente imposto pelos grupos dominantes, no qual o indivíduo que não atende aos requisitos estabelecidos, branco e abastado, sofre uma periferização social. Assim, ao analisar a sociedade pela visão de Lévi-Strauss, nota-se que tais trabalhadores em condições análogas ao escravismo não são valorizados de forma plena, pois as suas necessidades de inclusão social são tidas como uma obrigação pessoal, sendo que esses deveres, na realidade, são coletivos e estatais. Basta refletir em relação a uma reportagem feita pelo Globo Repórter, na qual eles conseguiram flagrar na Floresta Amazônica centenas de trabalhadores em situações precárias tanto de saúde como acomodação.
Outro ponto relevante, nessa temática, é o conceito de Modernidade Líquida de Zygmunt Bauman, que explica a queda das atitudes éticas pela fluidez dos valores, a fim de atender aos interesses pessoais, aumentando o individualismo. Desse modo, o sujeito, ao estar imerso nesse panorama líquido, acaba por perpetuar a exclusão e a dificuldade em procurar melhores condições de trabalho e apoio do Estado , por causa da redução do olhar sobre o bem-estar dos menos favorecidos. Em vista disso, os desafios para o fim do trabalho escravo estão presentes na estruturação desigual e opressora da coletividade, bem como em seu viés individualista, diminuindo as oportunidades sociais e direito de ser valorizado no mercado de trabalho.
É evidente, portanto , que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor. Destarte, os sindicatos dos trabalhadores devem cobrar uma fiscalização mais rígida do governo, principalmente, em áreas de florestas, além de uma punição mais severa contra os envolvidos, promovendo o fim dessa exploração. Logo, o Ministério da Educação (MEC) deve instituir, nas escolas e empresas, palestras ministradas por psicólogos, que discutam métodos de como acabar com o trabalho escravo no Brasil , com objetivo de valorizar o esforço desses trabalhadores, a fim de construir o progresso sem desconsiderar a ordem. Já dizia o politico e ativista social Nelson Mandela, “A educação é a maior arma que se pode usar para mudar o mundo.”