Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI

Enviada em 16/08/2018

Os filósofos Aristóteles e Platão eram unânimes em defender a escravidão na sociedade, pois, segundo eles, o trabalho braçal era considerado inferior. Infelizmente, no contexto atual de nosso país, ainda há quem opte por esta linha de pensamento, apoiando-se nos diversos relatos de trabalho escravo, inclusive em nosso país. Isto ocorre não só pela falta de fiscalização como também pelo frugal desconhecimento por parte de vítimas que estão em trabalhos análogos a escravidão. Evidentemente encontra-se um grande impasse nesta questão.

É primordial ressaltar que a fiscalização desta questão no Brasil não é completamente eficiente. O canal de TV alemão ARD levou ao ar um documentário revelando a exploração de trabalho escravo no Nordeste brasileiro, onde menores de idade coletavam a cera de carnaúba sem aparato de segurança a 40 reais por dia, dormiam ao relento, não tinham acesso a água potável e, às vezes, não se alimentavam durante as jornadas extenuantes. Esta notícia repercutiu na mídia brasileira e demonstra que não houve fiscalização no local, o que favorece principalmente empresas estrangeiras que aproveitam o baixo custo e alto rendimento.

Concomitantemente a isso, nota-se que muitas pessoas se submetem a esse estado por não o reconhecerem como ilegal. E, como o filósofo Émile Durkheim afirmava, o fato social é o fenômeno caracterizado por ações e pensamentos exteriores e coercivos ao indivíduo. Logo, quando há uma rede de influencias diretas que apoiam e usam argumentos para o convencer desta situação, e, estando isolado de outras informações e outros meios de vida, optará por adota-la sem questionamentos. O cenário vigente revela a gravidade da desinformação.

Infere-se, portanto, uma severa fiscalização em consonância da circulação de informação dos direitos garantidos por lei. Caberá ao Governo abrir maior número de vagas para agentes da Secretaria de Inspeção do Trabalho para atingirem todo o território brasileiro e investigarem, severamente, de fábricas de grandes marcas à interiores e fazendas. O Ministério da Educação em parceria com a mídia deverá promover uma campanha de conscientização para que o indivíduo saiba reconhecer e denunciar tais casos. Assim amenizaremos drasticamente os casos de trabalho escravo no Brasil.